Bunker II – A Importância dos Purificadores

qua, fev 3, 2010, 640 views

Máquinas  

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por Breno Bidart

O primeiro artigo sobre Bunker escrito neste Blog, por um competente Chefe de Máquinas, grande amigo meu, é de extrema importância para os Maquinistas. Certa vez embarcado em um navio da Transroll, como 2OM, houve uma distração do Oficial de Máquinas de serviço, RESPONSÁVEL PELO PURIFICADOR DE ÓLEO PESADO DO MCP, que custou a cabeça do Chemaq e um enorme prejuízo.

É bom lembrar que os tripulantes de máquinas, nessa empresa, fora embarcados na semana que o navio saiu para linha convencional, sem qualquer preparo das particularidades dos equipamentos. Lembrando também que o financiamento do navio incluía as despesas com tripulação, no estaleiro, que a tripulação deveria ser embarcada, meses antes, para acompanhar a construção e se preparar conhecendo os equipamentos.

O sistema SIPWA, no MCP, detectou um desgaste elevadíssimo nos anéis de segmento de todos os cilindros do MCP. Todos nós achamos que era erro do sistema eletrônico que detectava o desgaste, nos anéis. O desgaste era tão grande que parecia impossível estar acontecendo na realidade. O navio tinha poucos meses que tinha saído do estaleiro. Não tinha completado ainda um ano de vida. Era o M/ Belatrix (Transroll).

Fizemos a viagem de ida e volta para Europa e o sistema cada vez detectando o desgaste maior. Quando chegamos ao Brasil, no primeiro porto, foi chamado o engenheiro especialista Mr. Rudolf, suíço, responsável em todo o hemisfério sul pelos motores SULZER.

O Mr. Rudolf nem olhou nada, foi direto ao purificador, um enorme Westfalia, e pediu para que eu abrisse o mesmo e retirasse o anel de gravidade. Pegou o manual, abriu no gráfico da viscosidade do óleo X anel de gravidade e pediu-me para comparar o disco no gráfico. Em fim, era o disco que estava errado. Esse erro grotesco da simples troca do disco fez com que o purificador apenas transferisse o óleo sem separar os metais pesados. Todos os cilindros tiveram de ser aberto, um prejuízo incalculável.

Aí a importância dos purificadores na vida dos motores dos navios. Nos navios mais modernos, que queimam óleo cada vez mais pesados, e de menor qualidade a altíssimas pressões e temperaturas, com cursos dos êmbolos cada vez mais longos, não pode nem sonhar com presença de enxofre no óleo e demais metais pesados. Nos navios mais antigos em que são menores as pressões e temperaturas pode ter até uma tolerância. Principalmente nos que tem janelas de admissão e descarga. Mas, nos navios mais modernos isso pode ser fatal para a vida do motor.

Descobri, também, ao longo de mais de 20 anos de efetivo embarque, que os oficiais, não têm uma instrução da importância dos purificadores na vida útil do motor do navio. Inclusive no de óleo lubrificante quando este separa a água condensada do mesmo. Infelizmente tive de presenciar um desgaste absurdo em mancais devido a não observância de o purificador de óleo lubrificante não está separando a água condensada. Ainda bem que não foi comigo. Só detectei o erro quando embarquei. POR ISSO UM RECADO AOS JOVENS MAQUINISTAS: CUIDADO, MUITO CUIDADO COM OS PURIFICADORES.

Os navios mais modernos estão começando a ser fabricados. Se esses Oficiais não forem preparados com relação à importância dos purificadores, as empresas vão entrar em prejuízos de milhões de dólares. Lembro que não é só purificador.

As Empresas de navegação não têm a cultura de preparar os Oficiais de Máquinas para a instalação em que irão operar e fazer as manutenções. Pegam qualquer um de qualquer jeito e joga no navio.  Os pontos importantes, as particularidades só são descobertas quando o equipamento quebra, e mesmo assim, alguns Oficiais, infelizmente, não gostam de passar os bizús. Na antiga Fronape, na década de 70, os Oficiais de Máquinas faziam cursos e se preparavam para as instalações. Faziam viagens adestrando para depois assumir. Existia até um setor chefiado por um competente Chefe de Máquinas. Um setor de treinamento. Algum gaiato, com a idéia de economia, acabou com o setor. Economizou uma “merreca” de um lado e deu um enorme rombo do outro.

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10 Respostas para “Bunker II – A Importância dos Purificadores”

  1. Paulo Costa:

    De acordo, Breno!

    Lembro que as entrevistas com Oficiais de Máquinas para contratação na Aliança dos anos 80 e 90 eram feitas pelo famoso Chefe de Máquinas Orlando (Bofetão) e a sabatina principal dele com o candidato era exatamente sobre purificadores, o equipamento que ele mais gostava e admirava.
    Voce literalmente tinha de botar um purificador “no estrado” com suas palavras dentro de um escritório e explicar todas essas diferentes condições de operação deles com relação aos diferentes tipos de óleos.
    A contratação dependia disso, é mole?.
    Só posso dizer que muita gente boa não andou lá naquela época por causa dos purificadores e sua importância.

    Saudações.

    PAULO SÉRGIO MONTEIRO COSTA – OSM
    CIAGA-EFOMM / 1984

    Responder

  2. Breno Bidart:

    Paulo Costa
    conheci o negão (Orlando Bofetão)Quando embarquei na aliança, no navio graneleiro Almaris, fiz entrevista com ele e uns outros.Somente um chefe como ele poderia dar essa importância.
    Abraço
    Breno Bidart

    Responder

  3. Vitor Santos:

    Ótimo artigo chefe Breno, sou aluno do 3º ano de máquinas da Efomm e posso dizer que essa parte de purificadores não é muito explorada na escola, mas já havia ouvido falar que era um dos componentes que mais levava o navio a dar problemas e agora com seu artigo vejo que isso é mesmo verdade.

    Abraços

    Responder

  4. ANTONIO DIAS:

    AI BRENO MANDOU BEM.
    FORTE ABRACO. 10M DIAS

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  5. Breno Bidart:

    Vitor Santos
    Muito bom vc tomar conhecimento agora como aluno. Quer dizer, que terá uma boa praticagem e um bom entendimento que a grande maioria não tem. Purificadores existem em muitas industria, não é só em navio. Fábricas de cerveja tem uns dez vezes maior que os de bordo.

    Grande amigo Dias
    Muitas saudades do nosso tempo de Neusa.Espero que esteja muitíssimo bem. Vc já tinha uma grande visão com a sua rotina de filtros.Não conheci um maquinista que cuidava dos filtros como vc.Deveria estar no meu artigo: O inimigo número 1 dos maquinista, que se encontra nesse blog.
    Forte e sincero abraço

    Responder

  6. Rodrigo Cintra:

    Ótimo post, Chefe Breno.
    No HFO eu ainda não tive o desprazer de ver, mas já vi o que um Purificador de LO com Disco de Gravidade errado pode fazer num motor e realmente não é das melhores experiências.
    O mais engraçado é que a sensação é exatamente essa descrita: você recebe o resultado da análise do óleo, vê a lenha nos mancais do motor mas, de tão trágico, num primeiro momento não acredita.
    Esse costume das empresas de não preparar o pessoal é notório, está virando padrão.
    Aqui na perfuração, apesar de algumas coisas, se é uma coisa que não podemos reclamar é de curso: Motores CAT, Top Drive, BOP (tanto o do fabricante quanto o curso de well control), Draworks… enfim..
    Nãop odemos reclamar.
    Mas infelizmente sempre haverá aquele cuja visão não vai além de uma milha de sua proa e vai reclamar que está faazendo curso na folga e blá blá blá…
    Parabéns.

    Responder

  7. Bruno Pereira:

    Absolutamente importante seu post breno,
    Como estou iniciando meu curso no CIAGA-RJ espero aproveitar ao máximo as informações aqui coletadas, e o mais interessante é que além do post cada comentário fortalece a idéia utilizada pelo autor, estou realmente muito feliz de ter achado esse blog por curiosidade. Espero num futuro não longíquo ajudar também com minhas experiências.
    Abraços à todos.

    Responder

  8. Breno Bidart:

    Isso mesmo Bruno.
    O importante também é divulgar o blog para termos no futuro formadores de opinião.
    abraço
    Breno Bidart

    Responder

  9. Gustavo Piccin:

    Prezados companheiros,

    Muito interessante e real a matéria do CFM Breno. Purificadores são de extrema importância a bordo e não são levados a sério por muitas empresas.
    Trabalhamos com reforma dos purificadores, ministramos treinamentos de operação, manutenção e monitoramento, fabricamos peças para linha completa Alfa Laval e Westfalia.
    No campo, podemos notar o interesse do pessoal. Os que fazem o trabalho com profissionalismo não deixam problemas como o citado pelo Sr. acontecer, já os que levam a profissão como um “passa tempo” deparam-se com tais estragos.
    A correta regulagem do disco de gravidade é um dos vários fatores que devem ser levados com muita atenção nessa incrível máquina. Vedações do rotor, níveis de vibração da máquina, pureza da água de manobra também são itens que fazem a diferença.

    Um grande abraço!

    Gustavo Piccin
    JDF Centrifugas Ltda.
    engenharia@jdf.com.br

    Responder

  10. Luiz Fernando:

    Luiz Fernando – marinheiro de máquinas

    março 25th,em 16:00 pm

    Muitos profissionais desprezam que que as reações químicas causam efeitos
    físicos aos materiais .
    abraços .

    Responder


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