por Erik Azevedo
Vejam como os navios são cortados, nesta distante praia da Índia, a viagem final de muitos navios.
Welcome to Alang!
Existem diversos lugares do mundo para se fazer turismo tradicional, porém um deles com certeza não são as praias de Alang na Índia, pois se parecem mais com um cenário de filme de guerra. Porém, nos últimos anos este lugar tem chamado atenção para outro tipo de turistas, aqueles que gostam de aventuras exóticas, e os colecionadores de raridades marítimas, sim existem até agencias especializadas nisto, e muita gente da Europa e Estados Unidos viajam para suas compras. Enfim, compram a preços muito baixos, todo tipo de mobiliário e decoração que outrora pertenceu a famosos navios de cruzeiro, e os revendem a peso de ouro na Inglaterra, França, ou em NY, outros até constroem suas casas com partes de navios que foram desmanchados por lá.
A mão de obra de Alang é formada por um exército de trabalhadores maltrapilhos armados de marretas e maçaricos, machados, serras manuais, e muito improviso, e esforço físico. O vilarejo de Alang, que fica a cerca de 300 quilômetros de Bombaim, nem sequer aparece direito nos mapas, mas responde sozinho pelo desmanche de metade de todos os navios mercantes e de guerra que saem de circulação em todo o mundo.
Os navios que são vendidos aos sucateiros de Alang, fazem sua viagem com o nome de “destino final”, nas praias de Alang, segundo
dados foram desmontados só no ano passado mais de 400 grandes navios, com um faturamento bruto estimado em mais de meio bilhão de dólares, um terço dos quais é lucro líquido. Um excelente negócio. O que transformou esse canto perdido numa espécie de campo batalha em forma de ferro-velho, foi a miséria e os salários de fome pagos na Índia. E também porque regras de segurança do trabalho e de proteção do meio ambiente tornam esse tipo de atividade cara demais nos países desenvolvidos. Já no sucatão indiano, um exército de mais de 40.000 trabalhadores migrantes se amontoa na favela erguida junto às carcaças, trabalhando de pés descalços por salário mensal médio equivalente a 75 dólares. O trabalho nas praias abastece as usinas indianas com 2,5 milhões de toneladas de aço por ano.
São quase 10 quilômetros de praia imunda, cheia de restos de navios, ferros retorcidos, materiais altamente tóxicos, como asbestos e manchas de óleo. O declive suave e as ondas fortes permitem que os navios avancem até encalhar na areia, facilitando o trabalho, que é feito em condições rudimentares.
A visão do Caos.
Vejam só, olhem quem nós podemos encontrar aqui em Alang, varado na praia!
O veterano NAeL Minas Gerais!
Que fim inglório para o ex HMS Vengeance da Royal British Navy, e da Marinha do Brasil, morrer desmanchado nestas praias imundas, na sua derradeira batalha, desta vez não houve vitória.
Há alguns anos atrás, os gases acumulados nos tanques de um superpetroleiro japonês causaram uma explosão que pôde ser vista a 10 quilômetros de distância, deixando dezenas de mortos. Por pressão de organizações ecológicas, o Congresso dos Estados Unidos proibiu a venda de navios americanos aos sucateiros indianos.
O sucatão de Alang, porém, não foi seriamente afetado, por que afinal? Porque sem um bom desmonte, navio velho é um estorvo sem tamanho. O que geralmente determina o corte de um navio é a condição do casco, no desmanche tudo é aproveitado, um gigantesco mercado de venda de peças de toda a especie, como engrenagens, turbinas, bombas, motores, guinchos, purificadores. Se você precisa de uma spare part, de baixo custo?
Vá até Alang, até cabos de aço usados, que se encontravam em bom estado,vão servir como sobressalentes para outros navios. Empresas já estão se especializando em recondicionamento de todo o tipo de equipamento, de ancoras, à hélices, guindastes, mobília, anteparas, portas, vigias, enfim, a China tem feito a festa com a compra de spare part refurbish from Alang, e outros sucatões pelo mundo.
Tecnologia.
Tecnologia de ponta medieval, é usada no corte dos navios, isto percebe se claramente nas fotos, o cuidado com os operários…
Eles são organizados, pelo menos isso, os navios estão todos em fila uma ao lado do outro.
Esta precisando comprar Boias Salva Vidas, ou equipamento de Salvatagem?
Welcome to Alang!
Vou deixar aqui o bizu para quem ta na onça e precisa comprar Spare parts, e em Alang você encontra nas seguintes lojas:
http://www.alangspares.com/aboutus.htm
http://www.harsh-marine.com/home.htm
http://www.alang-ship-parts.com/stock.htm
Referencias: visible-shipwrecks, gCapitan.
A equipe do Blogmercante agradece.



































junho 2nd, 2010 em 10:41 pm
Nossa, que lugar impressionante!!
materia perfeita!
As fotos sao muito surreais, custa acreditar que isso seja verdade.
Parabéns de novo teacher!
junho 3rd, 2010 em 1:40 am
Mas é verdade.. pena..
junho 3rd, 2010 em 1:33 am
Vcs não imaginam nem a metade da realidade deste lugar, pobreza é pouco para descrever . Quem já teve essa experiencia sabe.
junho 3rd, 2010 em 1:41 am
Ramalho, voce já esteve lá?
Abraço
junho 3rd, 2010 em 2:29 am
O que deve morrer de peão nesse lugar. Que loucura abrir o maçarico em um casco ou antepara sem saber o que é navio…Segurança no trabalho igual a zero.
junho 3rd, 2010 em 3:17 am
Brabo né? Que situação.
junho 3rd, 2010 em 6:04 am
Erik obrigado pela postagem da matéria,anteriormente havia pedido ao Berdeide está. Agora eu confesso que dá um aperto no coração, um sentimento deprimente vê navios antes tão impávidos e gloriosos terem um fim tão degradante.
OBS:Será que em Alang eles não aceitam Dirigentes Sindicais para desmanche. Em caso positivo podíamos mandar alguns meio marítimo,só não sei se é sucata reaproveitável.
junho 3rd, 2010 em 10:16 am
Eu acredito que não, pois a eles interessa estes navios para desmanche e reciclagem, de tudo que há a bordo…
março 7th, 2011 em 5:05 pm
Caro Ornellas seu humor continua ácido. Como na vida nossos navios precisam de um cemitério para seu descanso eterno. Saudações sindicais, Escadinha.
junho 3rd, 2010 em 1:55 pm
eu ja fui la ,fui deixar o mafra, a galera ganhava 8 dolares por dia para botar a vida em perigo,quase ficamos nuis poi demos as nossas roupas quase todas ,emuito tyrista este lugar
junho 3rd, 2010 em 9:17 pm
Sinceramente, por ai em todo mundo os grandes estaleiros, aqui mesmo no Brasil, tanto se ouve falar de centenas de navios sendo construídos, cada um mais glorioso que o outro e nos deparamos com essa realidade. Agora, milhares de pessoas em situação desumana, sem nenhuma segurança, mas o que mais dói e ver esses navios sendo “esquartejados”,”mutilados” dá um sentimento, um aperto o coração, como se fossem pessoas ali no seu derradeiro fim. Muito impressionante, muito boa matéria. Parabéns amigo, você que é o mago dos setes mares agora nos coloca esse aperto no coração.
“VIDA LONGA AO BLOGMERCANTE”
junho 4th, 2010 em 5:50 pm
Agora levando a coisa por um outro lado menos triste, a primeira impressão que tive era que aquela praia fosse Arraial do Cabo e que os navios seriam toda a frota dos “milicos” encalhada lá, tomei um susto…kkkkkk.
“VIDA LONGA AO BLOGMERCANTE”
junho 3rd, 2010 em 10:27 pm
Fico triste com isso, cada navio tem sua história , e ela acaba na praia…
junho 4th, 2010 em 10:10 am
Assisti um documentario sobre desmanche de navios na India ( O Lixao dos mares ).
É de doer o coracao, ver tantos navios acabarem desta forma,e outros tais ficando milhonarios as custas de pessoas que exercem aquele trabalho sub-humano, que ainda inclui muitos jovens e crianças.
Fico chocada com a falta de humaninadade de pessoas que poderiam fazer melhor, mas só pensam em si proprias.
Muito boa sua materia querido,
Parabens
junho 5th, 2010 em 3:35 am
Prezado Erik!
Que belo post vc nos trouxe..és realmente uma enciclopédia marítima ambulante…To pra ver um vapozeiro tao vibrador como voce…O que eu gosto nos seus post e que em vários deles vc dá um certo tom de romantismo nos mesmos…Fiquei ate meio Nostálgico quando vi o triste fim do outrora imponente Minas Gerais…no meio da sucata junto de outros navios..
Acho que o mesmo merecia um destino melhor..e nos perdemos essa chance em 2002 quando deixamos de transforma-lo em Museu ou ate mesmo de transforma-lo em um recife artificial, coisa que os americanos fizeram em 2006 com o porta-aviões USS ORISKANY…Hoje e considerado o maior recife artificial do mundo e inseriu a cidade de Pensacola , no estado na Florida no roteiro milionário do turismo de mergulho…Sem mencionar que vários órgãos do governo americano e outras sociedades de pesquisas também se beneficiaram em poder estudar a fauna marinha dos novos moradores subaquáticos do ORISKANY….Tenha certeza que desde 2006, as cidades ao entorno deste naufrágio nos USA ja receberam muito mais do que 2 milhões de dólares, que foi o valor pago a MB pelo leilão do Minas Gerais em 2002…Ja pensou se tivessem afundado o MG ao largo de Arraial do Cabo ou Cabo Frio o quanto não se desenvolveria a industria hoteleira e os demais serviços agregados, escolas de mergulho , etc…O quanto de divisas não se geraria com isso…E uma pena infelizmente ha falta de visão do povo brasileiro pra tudo…
Fico me perguntando: Ate quando o BRASIL sera o pais do Futuro??
Um grande abraço,
junho 5th, 2010 em 12:14 pm
Obrigado meu amigo Diomácio.
Concordo contigo em gênero numero e grau, fiz questão de buscar as fotos do derradeiro destino do Minas Gerais, justamente para despertar estas duvidas…que atitude errada o alto comando tomou mais uma vez.
Amigo isto é fruto de falta de cultura marítima, de um afastamento do mar, esse pessoal da MB se tornou uma marinha de escritório de mesa e terra, se tornou excessivamente burocrata, por isso sou a favor de uma mudança total no EPM, pois os reflexos desse afastamento do mar por parte deles, infelizmente nos afeta.
Destruir o Minas, foi um grande erro, e fora a jogada que ocorreu por mero capricho destes senhores, quando uma ONG, formada por ex tripulantes Britânicos, tentou comprar o navio e o transformar num belo museu marítimo, sabendo se que este foi o Ultimo Porta Aviões desta classe a classe Colossus, veterano da 2ª Guerra.
Obrigado e boas navegações
Erik
dezembro 29th, 2010 em 10:38 pm
Caro Erik, eu servi no Minas Gerais por cinco anos e fiquei muito triste ao ver estas imagens há um tempo atrás. Eu escrevi um livro de memórias em que eu digo que o NAeL MG(A11)não merecia um fim tão inglório. Forte abraço.
Adalberto
PS: eu era mecânico de aviões (P-16 Tracker).
dezembro 30th, 2010 em 1:38 pm
Obrigado caro amigo!
E deixe o nome de seu livro para que possamos conhece lo.
novembro 16th, 2012 em 8:51 pm
Sem dúvida, é uma tristeza ver essas imagens. O fim do Minas Gerais, sem dúvida, foi um erro. Antes tivesse sido doado à ONG britânica que desejava transformá-lo em museu. Por fim, essas imagens me fizeram lembrar a demolição injustificada do Palácio Monroe, no Rio de Janeiro. Um absurdo (como tantos outros). E parabéns!
julho 14th, 2010 em 10:24 pm
Parabéns Erik, por estar fazendo um excelente trabalho. Dá pra perceber que vc tem feito isso com muito amor e dedicação.
Aguardo as próximas matérias.
julho 22nd, 2010 em 6:03 pm
É triste ver a condição desumana em que as pessoas trabalham, além da falta de fiscalização com relação ao dano hamiental.
Porém é melhor que se reciclem os navios que já são obsoletos, ineficientes, e altamente poluentes, doque se deixem apodrecer no porto, como existem vários aqui no Brasil. Quando eles afundam de forma não planejada, causam prejuizos muito maiores a natureza e aos cofres públicos que “gerenciam”os portos.
Outra boa alternativa é a criação de recifes artificiais.
julho 29th, 2010 em 7:40 am
Já tive essa experiência e não foi agradável, pois comandara o navio por um ano, e tivemos de levá-lo para Chittagong, em Bangladesh, onde há desmanche semelhante.
Antes do encalhe, a marinha de Bangladesh esteve a bordo escolhendo o que ela queria recolher, depois outras autoridades também escolheram mobílias, o restante do rancho e coisas miúdas.
Enquanto se esperava o dia da maré correta, 2 vigias foram postos a bordo, e faziam sua própria comida, pois levaram legumes e alguns frangos vivos para bordo, que matavam na popa todo dia, para depois temperar com um incrível mistura de especiarias e “toneladas” de pimenta.
Nas cidades onde estivemos, Chittagong e Dacca, mansões convivem com barracos nas calçadas em frente, em um contraste social violento, muito além do que se vê por aqui.
agosto 11th, 2010 em 8:45 am
http://www.blogmercante.com/wp-uploads/2010/06/Rich-vd.jpg Acreito que essa foto o primeiro a esquerda parece muito com o OBO_ MURIAE, andei nele nos seus ultimos dias acho que o PIM acabou e a próxima partida foi para o “Destino Final”, escrevendo aqui chega a me embrulhar o estomago ver esses TITANS saindo de cena, não me sinto pior pois sei da renovação e que no Brasil é MUITO necessaria mas mesmo assim são cenas impactantes para quem é do mar…….
Wilson B.
Pai da Alessa (3M 25d)
agosto 20th, 2010 em 1:59 am
Quando vejo esse local me sinto triste e ao mesmo tempo fascinado, pois simboliza o fim de uma vida, porque para quem gosta de navios é como se cada um fosse vivo e tivesse uma personalidade.
Mas acredito ser melhor ver um navio antigo sendo desmanchado do que apontado por seus defeitos ou más condições pela idade, o que acaba sendo uma humilhação para esses guerreiros que por anos contruibuíram para seus países.
Ver um navio abicando em Alang mesmo que por vídeo ou fotos é algo incrível pois representa o final de um ciclo.
Obs. com relação ao navio Muriaé não é o da foto, pois o Muriaé possuía uma superestrutura bem alta e a proa bem maior também em relação ao navio da foto.
E ontem (19) o nosso “Global Maceió″ saiu do RJ rumo a Alang, adeus!!.
agosto 21st, 2010 em 4:41 pm
Fiquei fascinada e assustada ! Tinha noção de como eram os cemitérios de navios, entretanto, não tinha idéia de quão massacrante isso é ! Apesar de não ser a melhor coisa um navio velho na ativa, é triste ver o fim de todos eles depois de todo o trabalho bem realizado.
dezembro 25th, 2010 em 9:12 am
sou da marinha mercante caro colegas e chocante ver um navio daqueles morrer desse jeito um navio daqueles poderia se aproveitado como museu ou flotel para alguma empresa um abraco aos vapozeiros
maio 9th, 2011 em 3:16 pm
Fotos do infame desmanche de navios nas praias de alang.. Neat
junho 3rd, 2011 em 4:43 am
Fotos do infame desmanche de navios nas praias de alang.. Smashing
julho 6th, 2011 em 5:43 pm
Meu amigo eu sou apaixonado por peças nauticas queria saber se existe possibilidade de eu ir ate la comprar algumas peças e se voçe tewm contatos la obrigado aguardo resposta.
agosto 3rd, 2011 em 10:05 pm
Caramba..impressionante!!
outubro 30th, 2011 em 2:39 pm
Lamentavelmente é triste ver o fim de um porta aviões como foi o NAeL Minas Gerais
A11. As autoridadesque comandaram e navegaram nesse vaso não mereciam ver este fim deste vaso, da maneira como foi ou estás sendo na beira desta praia longe deste Rio de janeiro que foi seu berço por muitos anos.
Fui da Marinha de Guerra dos anos 72 a 76. Servi no Ary Parreira G21 e fiz algumas missões em que o Minas participou.
Lamentavelmento o fim foi triste.
Um abraço aos ex-integrantes ddas tripulações do A11
Ex Marinheiro da gloriosa Marinha de Guerra do Brasil e atualmente Capitão da Reserva da Força aérea Brasileira Jorge Edson Domingues soares, Turma Tango Santa Catarina 1972.
janeiro 18th, 2012 em 12:27 pm
o que eles fazem com os navios é o que deveria ser feito em todos os lugares
fevereiro 25th, 2012 em 10:18 pm
Eu servi no A11 NAel, foram anos duros. Apesar de ser uma banheira flutuante muitos vibravam com o mesmo, é triste ver qual foi o seu fim, principalmente em um lugar devastado pela mão do homem.
março 27th, 2012 em 10:05 pm
é triste ver o final do nael minas gerais sendo devorado no cemiterio de alang na india aonde se formou varios marinheiros e era a gloria da marinha brasileira. ele tinha que ficar no museu para a visitação publica ele é historia.