por Erik Azevedo
Quando o maior navio já construído foi para o desmanche em Alang, marcou o fim de uma era na indústria marítima.
Em Janeiro de 2010, as praias de Alang receberam o navio que foi o símbolo de uma era , ele foi um marco na construção naval e na marinha mercante e indústria do petróleo, com o derradeiro nome de T/T Mont*, e bandeira de Serra Leoa, ele parte de um fundeio no Qatar, para a viajem final numa praia de Alang aguardar seu fim. *T/T_ Abreviatura de Turbine Tanker, um verdadeiro navio a vapor com caldeiras e turbina.
Histórico
Este navio que ficou mundialmente conhecido com o nome de T/T Jahre Viking, pois foi o nome que ele ostentou por mais tempo em sua longa carreira marítima, originalmente se chamava Porthos quando estava ainda em construção.
Encomendado por um armador Grego em 1975, aos estaleiros Oppama da Sumitomo HI, do Japão na cidade de Yokosuka, região de Kanagawa.
Jogado ao mar em 1976, com as dimenções de um ULCC médio*, o T/T Porthos, começa os testes de mar, sendo porem em seguida recusado pelo armador, que alegou problemas técnicos com as turbinas, com excesso de vibração eram uma das alegações dos gregos. Na verdade o armador estava enfrentando a grande crise que assolou o mercado nos anos 70, e estava falindo.
O T/T Porthos , passa a se chamar Oppama, rebatizado pelo próprio estaleiro, que o coloca em Laid Up, aguardando destino, porem em 1979, o Grupo Sumitomo ( um dos maiores grupos financeiros do mundo), fecha um acordo com o homem mais rico da China, C. Y. Tung, que concorda em operar o navio, a partir de Honk Kong, em parceria com Brokers Noruegueses, porem com a condição de jumboriza lo, e o transforma lo em ULCC de grande porte*, dado que suas turbinas eram demasiadamente potentes e o navio era um VLCC “boca larga”.
Naqueles tempos havia uma grande concorrência entre os armadores de navios tanque, que havia começado entre os Gregos e o Americano Ludwing, já haviam começado a era dos ULCC, era uma disputa ferrenha por quem construía e operava o maior ULCC, segundo a história o pai do ULCC, e bem como do VLCC foi Luwing, os 4 primeiros navios do porte ULCC foram os 4 irmãos da classe Universe, o Universe Portugal, os Universe Ireland, Universe Kuwait, Universe Japan, com 332 mil toneladas cada lançados entre 1968 e 1969, outras dezenas de navios gigantes foram lançados em massa ate 1973 ano que começa a grande crise do petróleo, porem navios maiores ainda já estavam encomendados e sendo construídos, os 4 navios com 555 mil toneladas como foi a classe Batillus, construídos na frança diretamente para as grande companhias de Petróleo, como a Shell, a Total, a Fina, e a Gulf.
Então no ano de 1979, o maior navio do mundo é relançado e rebatizado como T/T Seawise Giant, e começa finalmente sua carreira navegando entre os portos Árabes, via Cabo da Boa Esperança para o terminal de Bantry Bay, na Irlanda ou na área de alivio em Galveston no Texas, sob operação da Universe Petroleum Carriers Inc.
Dados do navios:
Ano de construção: 1976
Armador: Grego (cancelado), Sumitomo HI.
Bandeira: Libéria
Dimensões originais – antes da jumborização
Comprimento: 365 metros
Boca: 68.9 metros
Pontal: 29.80 metros
DTW: 418.610 tons.
Como Seawise Giant/Happy Giant/Jahre Viking/ FSO Knock Nevis ( jumborizado).
Ano: 1979
Armadores: Universal Petroleum Carriers Inc., Norman Intnl A/S, K/S Jahre Viking ( grupo de armadores noruegueses), Frist Olsen Tankers.
Bandeiras: Libéria e Noruega.
Dimensões
Comprimento: 458.45 Metros
DWT: 564.739
Calado: 26.4 Metros
Maquinas: Turbinas a vapor Sumitomo Stal-Laval, 50.ooo HP, 85 RPM.
Velocidade Máx: 16, 5Knots.
Ataque, destruição e perda total
No dia 14 de maio de 1988 enquanto o Seawise Giant, carregava Oleo light Árabe, no terminal de Hormuz Iran, a guerra Irã x Iraque, estava a todo vapor, as forças Iraquianas comandam um ataque aéreo ao terminal e aos navios mercantes atracados no mesmo.
O Seawise Giant, assim como os demais navios sofrem pesado bombardeio, o navio VLCC T/T Barcelona de 235 mil toneladas atracado à contra bordo do Seawise Gian, queima por completo, após ser atingido na proa, e por boreste meia nau, e uma outra bomba em frente a superestrutura por Boreste a ré.
O Seawise Giant é atingido na linha d´água por Bombordo por uma bomba de 500kg na altura do main fold, e um grande incêndio se inicia após outra bomba de 500 kg o atingir lo no convés principal à meia nau, a explosão abre um rombo de 8 x 12 metros abaixo da linha de flutuação, fazendo com que o óleo dos tanques dos navios se espalhe em volta envolvendo todos num grande incêndio.

- Seawise Giant instantes antes de uma grande explosão ocorrer e vitimar o rebocador que está em socorro- toda a tripulação belga do rebocador morre nesta explosão
Como resultado 3 tripulantes do Seawise Giant morrem e vários tripulantes dos rebocadores que tentavam debelar as chamas, são mortalmente feridos quando ocorreram grandes explosões, destruindo os rebocadores.
Após o desastre o Seawise Giant fica encalhado num banco próximo ao estreito de Hormuz parcialmente submerso, seus armadores declaram como “Total Construction Loss”, é declarado perda total.
Recomeço como Jahre Viking até o prelúdio do fim
Em 1990- Porem a seguradora não chega num acordo, criando um impasse judicial a respeito do que fazer com os restos do navio, novamente o Seawise Giant, muda de donos, finalmente um grupo de armadores noruegueses se interessam pelo navio, e resolve assumir a TCL, rebocado até Singapura o Seawise Giant, passa a se chamar Happy Giant, uma alusão ao futuro feliz do navio, que havia escapado do desmanche. Em Singapura passa por grande reconstrução, nos estaleiros Keppel, a superestrutura anterior é removida e uma nova dando lugar a antiga, apenas se aproveitando as asas. Para reconstrução são utilizados mais de 3.220 toneladas de aço, 32 km de linhas de tubulações, e 60 milhões de dólares.
Terminada a reconstrução o Happy Giant, muda novamente de donos, o grupo anterior é substituído por um consorcio de empresas de navegação norueguesas. O Grupo Jørgen Jahre, adquire o navio por US$ 39 milhões, o navio agora passa a se chamar pelo nome da qual o faz dele um ícone de uma época: Jahre Viking.
O T/T Jahre Viking, passa a operar em linha dedicada entre os terminais Árabes e os EUA, passando pela rota do Cabo da Boa Esperança, chegando ao Golfo do México, mais precisamente a região de Galveston TX, da qual não atracava, era aliviado por navios menores ate estar totalmente vazio e poder retornar em lastro para o Oriente Médio via rota do Canal de Suez.
Ele continua nesta linha sem maiores problemas até o ano de 2004, quando é comprado pela First Olsen Tankers, e novamente enviado ao Keppel, mas agora para conversão em FSO ( cisterna e alivio), operando na região do Golfo do Qatar, para Maersk Oil, no campo de Al Shaheen Oil Field.
Mais uma vez ele muda de nome e passa a se chamar FSO Knock Nevis, porem com bandeira e porto de registro inalterados.
Porem o FSO Knock Nevis, jamais teria a gloriosa trajetória que este navio teve quando Seawise Giant ou renascido das cinzas como Phenix e se tornado Jahre Viking o maior navio de todos os tempos, após o termino do contrato, à Maersk Oil ainda tentou sem sucesso, traze lo para o Brasil, lugar que ele jamais esteve antes, porem sem sucesso, tanto a Petrobras quanto suas operadoras de FPSO´s não se interessaram em adquirir o navio e converte lo em FPSO, passados quase um ano, não encontram outra solução para o famoso navio a não ser a demolição nas imundas praias de Alang na Índia.
O Knock Nevis, é então renomeado Mont, e tem seu pavilhão substituído pelo de Serra Leoa, para sua viajem final, e seus novos donos são a Amber Development Corp. Em janeiro de 2010, a demolição do navio é iniciada. Uma de suas ancoras de 36 toneladas é salva e enviada para o Museu Maritimo de Hong Kong, para exibição do que representou para Indústria Marítima mundial.
Exposição da ancora que pertenceu ao Jahre Viking, no Museu Marítimo de Honk Kong, em homenagem ao navio e ao seu primeiro armador que era cidadão da ilha de Honk Kong, foi preciso um grande guindaste para posicionar esta ancora de 36 toneladas neste chafariz.
Nota: ULCC-Ultra Large Crude Carrier, esta é a sigla para os maiores navios que ha pelos oceanos do mundo, esta classificação parte com referencia acima de 320 mil toneladas brutas, até o maior do mundo que era o Jahre Viking com 564.739, atualmente os maiores ULCC´s em atividade são os 4 irmãos da classe chamada de TI, são eles o TI Asia, o TI Africa o TI Europa e TI Oceania, com 441,585 Toneladas, cada navio e com casco duplo, atendendo as novas regras da MARPOL, construídos entre os anos de 2002 e 2003.
A foto mais famosa do Jahre Viking, literalmente empurrando água.
A equipe do BlogMercante agradece.



























julho 6th, 2010 em 10:53 am
Parabéns Erik! Mais uma matéria excelente.
agosto 11th, 2011 em 6:34 pm
sonhava em ver o knock nevis em operação no pré-sal !!!!o petroleiro joão cândido é uma fraude eleitoral da farsa petista da reativação da industria naval
julho 6th, 2010 em 11:02 am
Otima Materia Sr. Erik!!
É sempre muito prazeroso para nos (apaixonados por navios e pelo mar) poder desfrutar de informações sobre navios que se destacam.
P.S: Uma pena que a vinda do JAHRE VIKING para o Brasil não foi concretizada.
julho 6th, 2010 em 11:22 am
linda matéria.
Embarquei em um VLCC que era praticamente a metade desse. José do Patrocínio(DWT 275000, se não me engano), da Fronape.
Era só emoção. O passadiço era de dar medo de tão alto.
Dizia-se que para passar pela ponte Rio- Niterói tinha de lastrar se não ele não passava por baixo.IMAGINE ESSE GIGANTE.
Breno Bidart
julho 6th, 2010 em 1:53 pm
E olha que o José do Patrocínio era grande..hein
maio 15th, 2012 em 12:40 am
Meu pai foi OSM (Oficial Superior de Máquinas) de varios VLCC, principalmente do N/T José do Patrocinio (Chefe Carlos Moacir). Tive o prazer de viajar para Nigeria, Turquia e Portugual (dick) com meus pais e irmão. Esse supernavio fez parte da minha infância.
Um abraço a todos!
BRUNO LOPES
bruno_lopesss@hotmail.com
julho 6th, 2010 em 12:12 pm
Tive oportunidade de ver alguns navios TI em Dubai, ao que me parecia estavam sendo convertidos para trabalharem como FSO/FPSO.
Jahre King realmente fez história, não conhecia todos os detalhes… parabéns Erik!
Abraços!
julho 7th, 2010 em 12:50 am
Legal Pedro!
Os navios TI são sensacionais, já embarquei com gringos que tripularam alguns deles, são da Eurotanker, um consorcio de empresas européias.
E confirmo isto que você mencionou 2 navios destes foram convertidos em FSO, tiveram aumento da superestrutura, e algumas adaptações, logo são as maiores embarcações na indústria do petróleo, se não me engano estão a serviço da Maersk Oil, no Golfo Pérsico.
Obrigado
julho 6th, 2010 em 1:27 pm
Agora sim fiquei sabendo de toda história deste “monstro”. Poxa, imagina ele aqui no Brasil como FPSO? Ainda bem que alguma coisa dele ficou para ser lembrado de toda sua história: sua âncora.
Para completar mais um pouquinho da história deste mosntro:
Comprimento: 458.4 metros (mais de 4 campos de futebol)
Largura: 68.9 metros (equivalente a um edifício de 23 andares)
Calado (Profundidade do Casco Submerso): 24.5 metros (equivalente a um edifício de 8 andares), o dobro de um super-transatlântico
Peso Carregado: 564763 toneladas (mais de 5 vezes o peso de um porta-aviões classe Nimitz)
Capacidade de Carga: 674297 metros cúbicos ou 4240865 barris de petróleo (+ de 18 mil caminhões tanque)
Valor da Carga: US$ 300 milhões (se fosse hoje ele carregado de petróleo)
Espessura do Casco: 3.5 cm
Propulsão: Turbinas a Vapor (50 mil HP), 1 hélice de 9 metros de diâmetro (equivalente a um edifício de 3 andares) girando a 85 RPM
Velocidade Máxima: 29 Km/h
Tripulação: 40
“VIDA LONGA AO BLOGMERCANTE”
julho 6th, 2010 em 1:54 pm
Isso que é navio… o resto é cabeça de porco.
julho 6th, 2010 em 2:34 pm
Infelizmente isso que era navio Berdeide.
“VIDA LONGA AO BLOGMERCANTE”
julho 6th, 2010 em 2:57 pm
Um monstro do mar…
Espetacular sua materia querido.
Parabens!
julho 6th, 2010 em 7:33 pm
sera ke nossos estaleiros,tem capacidade p/ const. um mega deste porte, temos todas as ferramentas, da p/ aliviar dastante na bacia.
julho 6th, 2010 em 8:10 pm
Talvez.. voltamos a construir agora.. vamos chegar lá! Em alguns anos voltaremos a ser uma potência mundial na construção naval.
julho 6th, 2010 em 8:00 pm
Boa noite!!!
Parabéns Erick e ao BlogMercante por nos presentear com a história desse “monstro” e um pouco mais da importância da Marinha Mercante .
Parabéns
julho 6th, 2010 em 8:09 pm
Verdade Fabio!! Um Monstro de navio!
julho 6th, 2010 em 8:51 pm
Parabéns Erik, ótima matéria, uma pena que vão desmontar o navio.
julho 7th, 2010 em 5:09 pm
Super 10!!!!
Parabéns…. excelente sua matéria!
Não entendo muito, mas é sempre bom aprender ++++!
Bjs adoro suas matérias!!!!!!!!!!!!!
agosto 28th, 2010 em 12:10 am
Falar no VLCC é recordar dos tempos áureos da navegação de longo curso na Saudosa Fronape. Fui funcionário da Petrobras /Fronape durante 14 anos e tive o privilégio de navegar nos Bombardões como chamávamos carinhosamente os VLCC da Fronape, imensos inclusive falávamos que eles empurravam a água pois a boca era de 54 metros de comprimento. Embarquei em 1984 no Vidal de Negreiros função MOC – 1989 no Barão de mauá função MNC – De 1992 até jan 1996 no Cairú na função de MNC e em 2000 Viajei no José do Patrocínio já na Transpetro na função de CTR, como interino.
Só quem embarcou nessas ilhas metálicas flutuantes sabem o que representou os VLCC no transporte marítimo do Ouro Negro.
Um abraço.
Sds Marinheiras.
Leandro – Mcb Orion embarcado no FPSO- P-32, ex Cairú.
agosto 28th, 2010 em 12:22 am
Para conhecimento dos Amantes dos VLCC da extinta Fronape, dos 07 VLCC da Petrobras / Fronape, somente o José do Patrocínio não foi transformado em FPSO, foi desmanchado na Índia e virou sucata. Segue atuais nomes dos Gigantes dos Mares da Extinta Fronape:
Vidal de Negreiros = FPSO P-31, Cairú = FPSO P-32, José Bonifácio = P-35, Henrique Dias = FPSO P-33, Felipe Camarão = P-50, Barão de Mauá = P-54
Já estive embarcado nos FPSO: P-33 e atualmente estou embarcado em P-32.
Um abraço.
Sds Marinheiras,
Leandro – Mcb/Orion embarcado no FPSO P-32, ex Cairú.
outubro 3rd, 2010 em 2:21 pm
Excelente artigo e fotos!
Parabéns
AC
outubro 14th, 2010 em 2:27 pm
belo texto.
comovente. uma pena como belos navios como esse têm um fim tão triste em alang.
outubro 14th, 2010 em 4:53 pm
Em 1988/9 eu estava embarcado no Preidente Deodoro( da Fronape),conhecido nas décadas de 50 e 60 como SUPERTANQUES. Para a época é o que tinha de navios grandes,se falando de petroleiros.
Atracamos a contra bordo, se não me engano acho que foi o Barão de Mauá, parecia que éramos o rebocador que ia atracar o navio.
Nossa carga era os resíduos da lavagem de tanques desse navio. Quase deu a carga total do Presidente Deodoro.
Breno Bidart
outubro 28th, 2010 em 2:45 pm
Durante meus 16 anos de FRONAPE posso dizer que foi uma honra e uma felicidade ter embarcado em 3 VLCCs. Cairú, Vidal de Negreiros e Felipe Camarão. Quem viveu a história da FRONAPE e não viajou nestes navios não se realizou por completo.
novembro 30th, 2010 em 6:44 pm
Gostei muito da historia do ULCC Jahre viking está de parabéns, e quero dizer que o TI OCEANIA está atracado no terminal de Angra dos Reis , na data de 28-11-2010 e me espantei ao ver o monstro que é o TI OCEANIA perto do NT POTENGI em que estou embarcado. Abraços.
junho 21st, 2011 em 8:50 am
Parabens pela materia ficou show….!
agosto 8th, 2011 em 6:52 pm
Érick
PARABÉNS!!
Vc é excepcional,
incrível como nos enriquece com informações.
Este foi um monstro de navio.
VIDA LONGA AO BLOG!
abril 16th, 2012 em 7:19 pm
Pena que agora o navio vai ser desmantelado! Porque não fizeram com ele o que fizeram com o Queen Mary I que está atracado na costa ocidental dos EUA e agora é hotel e museu? Por estar demasiado danificado?