Espaços Confinados em Embarcações

sex, out 29, 2010, 1.726 views

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por João Mesquita

Espaços confinados ou perigosos podem depender, literalmente, do modo que o vento está soprando.  O incidente de Jo Eik é um exemplo e o alerta de risco do Steamship Mutual mostra pontos semelhantes, assim como destaca o perigo que um espaço confinado conhecido pode representar para os espaços adjacentes.

Uma lição fundamental é: conhecer o seu sistema de ventilação. Diz o alerta de risco: “Um incidente recente destacou os perigos potenciais existentes em espaços aparentemente seguros. Um navio graneleiro em viagem com uma carga de trigo fumigado teve que evacuar, por necessidade médica, dois dos seus tripulantes que se intoxicaram pela fumaça da carga do porão nº 1, enquanto estavam trabalhando no paiol do castelo de proa, que era adjacente ao porão.

A presença potencial de atmosferas perigosas deve sempre estar em mente, mesmo quando se trabalha em espaço bem ventilado, que seja aparentemente inócuo. Não é o caso, simplesmente, que os únicos perigos que se colocam sejam os tanques, porões ou espaços vazios dos navios. Se é possível haver conectividade entre os espaços, por exemplo através de sistemas de ventilação, há necessidade de se verificar se o espaço está seguro para entrada antes que qualquer trabalho seja realizado no mesmo.

O artigo 17.1.3 do “Code of Safe Working Practices for Merchant Seamen” (publicado pela Maritime and Coastguard Agency, UK) afirma que onde há redução inesperada ou perda de ventilação dos espaços continuamente ventilados, esses espaços devem ser tratados como sendo confinados. Se houver alguma dúvida quanto ao fato de o espaço ser ou não perigoso, então deve-se considerar que sim até que a atmosfera tenha sido comprovada como segura. Mesmo onde o teste inicial forneça um resultado satisfatório, monitoração e ventilação devem ser mantidas enquanto o trabalho estiver sendo realizado dentro daquele espaço. Qualquer espaço que potencialmente possa ser privado de oxigênio deve ter seus riscos avaliados por oficiais do navio antes de permitir que o trabalho seja realizado naquele espaço.

Todos os tripulantes do navio devem estar familiarizados com o sistema de ventilação e onde as entradas e saídas de ar estão localizadas. Deve-se marcar em um conjunto de planos do navio as entradas que fornecem ar para que os espaços, e onde as saídas da ventilação dos espaços estão localizadas. Isto alertaria, então, a tripulação do navio para qualquer problema potencial da entrada de vapores ou gases nos espaços, como um paiol, por exemplo. Também seria útil em caso de incêndio a bordo do navio, já que a compreensão aprofundada do sistema de ventilação é essencial para lidar com o incidente de forma eficaz.

A direção do vento em todo o navio também deve ser considerada cuidadosamente, especialmente quando o navio estiver navegando em uma velocidade e direção relativa ao vento que possa causar retorno de vapores ou gases ao convés do navio. O Oficial de serviço deve estar sempre consciente da direção do vento relativo, se estiver sendo realizado trabalho em espaço confinado.

Quando a direção do vento pode tornar-se um problema em relação a ventilação, alteração de rumo, se possível, deve ser considerada ou o trabalho interrompido até que o risco diminua.

Atenção para o teor do “Risk Alert 16” publicado em junho de 2010, e à secção pertinente do “The Code of Safe Working Practices for Merchant Seamen”:  http://mcga.gov.uk/c4mca/coswp.pdf


Fonte: MAC

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9 Respostas para “Espaços Confinados em Embarcações”

  1. Adauri Vidal:

    Muito boa esta reportagem, a preocupação com a segurança das pessoas a bordo, deve fazer parte de todos os tripulantes. A dica da direção do vento foi hótima.

    Parabéns João Mesquita!

    Adauri
    MOM

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  2. Breno Bidart:

    Espaço confinado, hoje em dia, é levado muito a sério.
    Infelizmente já ouvi e vi inúmeros acidentes quase fatais e fatais por não se levar a sério os procedimentos.
    Breno Bidart

    Responder

  3. Bruno SIlva:

    um curso de NR13 é importante

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  4. Bruno SIlva:

    ops.. NR33 (Espaço COnfinado), a NR13 é para Caldeiras e Vasos de pressão, também muito importante!

    Responder

    • Breno Bidart:

      Caldeira não é mole não.
      Uma explosão de caldeira leva todo mudo que está em volta para converssar com São Pedro.
      Hoje raramente temos explosões de Caldeiras.
      O indivíduo tem de ser habilitado para operar caldeira.
      Um explosão de caldeira em navios leva a óbito até quem está no camarote.( como já aconteceu em um navio da Fronape em que morreu o filho co comandante que estava no casmarote)
      Breno Bidart

      Responder

  5. Breno Bidart:

    Lembrando de espaço confinado, embarquei como CFM em um rebocador da Marpetrol, em que tinham morrido, se não me engano, 6 operários devido a um deslize quando limpavam o tanque de óleo combustpivel.
    Conta-se que um pedaço do operário foi encontrado em cima de um poste de luz a quase 100m de distância.
    Breno Bidart

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  6. Walber:

    Excelentes exclarecimentos, muitas vezes o risco não é considerado em ambientes com ventilação, porém está comprovado que há mudança na atmosfera destes ambientes “Paiol”, temos que seguir as normais e sempre monitorar esses espaços para evitar-mos acidentes que normalmente são fatais. Aproveitando o último comentário, o curso de NR 33 seria bem mais exclarecedor se houver práticas e não somete teorias como as vezes vemos porr aí.

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