por João Mesquita
O Novo Protocolo 2010 para RCP/ACE da American Heart Association finalmente, depois de muita polêmica foi lançado e os enfermeiros que trabalham na área offshore necessitam assim como os instrutores de um período de adaptação.
Finalmente, depois de muita polêmica, o tão esperado protocolo para ressuscitação cardiopulmonar / atendimento cardiovascular de emergência (RCP/ACE) foi lançado pela American Heart Association (AHA), após a reunião dos instrutores no dia 13 de novembro de 2010 no Mc Cormick Place, Chicago, IL, EUA.

No entanto, apesar das informações já estarem disponíveis no site da AHA < http://www.heart.org>, o protocolo, didaticamente, ainda não vigora, embasado no argumento que os instrutores necessitam de um período de adaptação dessas novas informações, junto com material didático atualizado para então disseminá-las ao grande público, se concentrando na ciência da ressuscitação e nas recomendações das diretrizes mais importantes ou controversas ou que resultem em mudanças na prática.
O objetivo do estudo é a redução da incidência de mortes ocasionadas por doenças cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais, através do atendimento emergencial a estas vítimas, prestando cuidados em regime de excelência.
O processo de avaliação baseado em evidências foi realizado através de revisões de literatura no que concerne o tema e evidencia o consenso entre 356 especialistas de 29 paises durante um período de 36 meses. O guideline da AHA 2010 para RCP/ACE compõe as recomendações de tratamento examinando atentamente a eficácia, a facilidade de ensino e (a) aplicação das técnicas.
Novo Protocolo com Mudanças Polêmicas
A última atualização do protocolo em vigor para RCP/ACE foi em 2005 e a mesma abordou a real necessidade de compressões torácicas de alta eficácia (depressão torácica entre 4 e 5 cm, e uma cadência de 30 compressões entre 18 e 23 segundos). Em 2010 houve um consentimento que a RCP é um fator determinante para o retorno da circulação espontânea e da sobrevivência com função neurológica satisfatória, por isso a frequência de compressões torácicas foi alterada para até 18 segundos e uma depressão torácica de pelo menos 5 cm (comprimir rápido e forte no centro do tórax, minimizando as interrupções).
No novo protocolo não houve alteração sobre a relação compressão-ventilação (30:2), porém a sequência de procedimentos (chave mnemônica) de suporte básico de vida de A-B-C (abertura de vias aéreas, boa ventilação, circulação/compressões) foi alterada para C-A-B (ou seja, circulação/compressões, abertura de vias aéreas, boa ventilação,) justificável por verificação de alta taxa de pessoas com PCR presenciada.
Neste público é essencial que se iniciem rapidamente as compressões a fim de aumentar sua sobrevida e não perca tempo com as ventilações, que, a partir do novo protocolo, se tornam secundárias no atendimento inicial. Com essas mudanças, as compressões terão início mais cedo e as ventilações terão atraso mínimo. A quantidade de ciclos se mantém inalterada (5 ciclos de 30 compressões torácicas para duas ventilações) independente da quantidade de socorristas.
Muitas mudanças estavam sendo aguardadas, porém a que mais causou polêmica e confusão é a verificação do procedimento “ver-ouvir-sentir se há respiração”, que foi abolido da sequência de avaliação da ventilação após a abertura das vias aéreas. Com a nova sequência, em substituição à técnica anterior, o enfermeiro offshore verificará rapidamente a respiração do paciente, com o intuito de confirmar sinais de PCR. O guideline também tem como novidade uma reestruturação da cadeia da sobrevivência e seus 5 elos (figura 1):
1- Reconhecimento da PCR e acionamento da faina de emergência;
2- RCP precoce, enfatizando o novo protocolo;
3- Uso do DEA assim que disponivel;
4- S.A.V.;
5- Cuidados Pós-PCR.
O 5° passo salienta o atendimento intra-hospitalar e é uma das novidades mais comemoradas do novo protocolo, divulgado pelo ILCOR (International Liaison Committee on Resuscitation) e validado pela AHA, que sistematiza os cuidados pós PCR, otimizando a função hemodinâmica, neurológica e metabólica, aumentando a taxa de sobrevivência à alta hospitalar entre as vítimas que obtiveram retorno da circulação espontânea (RCE) após a PCR.
Objetivos dos cuidados Pós PCR
1- Otimizar a função cardiopulmonar e a perfusão de órgãos vitais pós o RCE;
2- Remoção para estabelecimento de assistência à saúde apropriado;
3- Identificar e tratar a síndrome coronariana aguda;
4- Controlar a temperatura para otimizar a recuperação neurológica;
5- Prever, tratar e prevenir a falência múltipla de órgãos.
Caso seja visualizada uma situação de emergência na unidade offshore, o profissional de saúde deve dar presteza ao atendimento de urgência/emergência, verificando rapidamente se a vítima está sem respiração, com a respiração anormal ou respira normalmente.
Caso a vítima não esteja respondendo, nem respirando ou apresente respiração anormal o enfermeiro offshore deverá providenciar a instalação rápida do DEA ou determinar que um dos componentes dotrauma team o faça.
É necessário verificar o pulso carotídeo em até 10 segundos, e caso esteja ausente, deve ser iniciado imediatamente a RCP (sequência C-A-B).
Após a 1ª série de compressões torácicas, a via aérea é aberta e o socorrista aplica duas ventilações, em um total de 5 ciclos de compressões-ventilações, verificando após a possível presença de pulso carotídeo.
Caso não esteja presente, reiniciar o processo. O DEA deverá ser utilizado assim que houver ritmo chocável.
Resumo dos principais elementos de SBV
| Elementos de SBV | - Não responsivo
- Sem respiração ou com respiração anormal
- Sem pulso (verificação de pulso carotídeo em até 10 seg).
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| Sequência de RCP
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C – A – B |
| Freqüência de compressão
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Pelo menos 100/min |
| Profundidade de compressão
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Pelo menos 5 cm |
| Retorno da parede torácica
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Permitir retorno total antero posterior |
| Interrupções das compressões
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Interrupções em no máximo 10 seg |
| Vias aéreas
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- Elevação modificada da mandíbula (trauma)
- Inclinar a cabeça e elevar o queixo (clinico)
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| Relação compressão-ventilação
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30:2 independente da quantidade de socorristas
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| Desfibrilação
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- Instalar o DEA à vítima assim que ele estiver disponível no local
- Reiniciar a RCP com compressões imediatamente após cada choque
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Parafraseando Aristóteles: “Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, portanto, não é um modo de agir, mas um hábito”.
Desta forma, o treinamento se faz muito importante no ensino/aprendizado da capacitação em ressuscitação. O aluno deverá procurar instituições filiadas à AHA para desenvolver essas habilidades por meio de treinamento em manequins de RCP, com ajuda de vídeos e instrutores qualificados. .
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Referências:
1. Field JM, Hazinski MF, Sayre M, et al. Part 1 Executive Summary: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation 2010;122(18 Suppl 3).
2. American Heart Association. Destaques das Diretrizes da American Heart Association 2010 para RCP e ACE. [versão em Português]. Disponível em:
http://www.heart.org/idc/groups/heart-public/@wcm/@ecc/documents/downloadable/ucm_317343.pdf
Fonte: Enfermagem Offshore (André Rodrigues)
Enfermeiro do Trabalho
Instrutor da Sampling Planejamentos/ Macaé
Militar do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro
Consultor e Colaborador do site Enfermagem Offshore






maio 26th, 2011 em 12:31 pm
Obrigada pelo material atualizado.Ótima matéria.
Abraços.
junho 21st, 2011 em 9:48 am
obrigado pelas informações, foi de grande ajuda para os nossos conhecimentos.
agosto 3rd, 2011 em 10:48 pm
esse assunto é muito importante, mas restaainda duvida ,entendo ,que o que já foi aprovado:substitui os procedimentos que durante toda vida.ajudou muito a sauva vida, por calsa de uma simples mudança no novo procedimento
todo que sabemos faze a vida enteira . se perde por causa de um medico cuja o nome dele nunca foi revelado,bom dia um abrasso a todos
fevereiro 27th, 2012 em 9:31 am
Em primeiro lugar, todas as mudanças foram seriamente estudadas por profissionais renomados e qualificados nesta área. Segundo, as pessoas deverião perder o medo das mudanças e do novo para dar espaço a um profissional constantemente atualizado e capaz de prestar um bom atendimento. E Sr. Francisco, “restaainda” não se escreve junto, “sauva” não existe, o correto é “salva”, o mesmo vale para “calsa”, corretamente seria “causa”, “faze” é “fazer”, “enteira” é “inteira” e um “abrasso” para ser bem mandado, deve ser escrito assim: Abraço.
Repetindo o trecho descrito acima e parafraseando Aristóteles: “Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, portanto, não é um modo de agir, mas um hábito”.
agosto 8th, 2011 em 10:38 pm
Fui informado recentemente que o atual protocolo segue na seguinte ordem conforme determina a AMERICAN HEART ASSOCIATION…Em uma pessoa com PCR, deve se atender na seguinte ordem,1º Checar nível de consciência da vitima chamando pelo menos 03 vezes, 2º liberar vias aéreas, 3º checar respiração(vitima não respira e não tem pulso),4º realizar 200 compressões tóraxicas,5º liberar vias aéreas, 6º checar respiração e pulso…
agosto 30th, 2011 em 12:16 am
OBRIGADO: MAS DE MEIA NOITE ,APRENDENDO CADA DIA +
AMANHA TENHO QUE ACORDAR NOVAMENTE E IR A TRABALHAR
NO MEU SERVIÇO SÃO FRANCISCO CLINICAS DE RIBEIRÃO PRETO -SP
QUE BOM : COM ORGULHO DE TER APRENDIDO CADA DÍA MÁS.
MANDEI E -MAILS PARA OS MEUS AMIGOS DESTA NOVA MUDANÇA E
NOVAMENTE AGRADEÇO A DEUS POR TER CADA DIA UMA NOVA FERRAMENTA
MÉDICA QUE E O NOSSO CONHECIMENTO… GRATO
setembro 19th, 2011 em 8:48 am
Em vítima de afogamento o procedimento na RCP é o mesmo de uma vítima de infarto.
setembro 20th, 2011 em 9:49 pm
neste caso segue a regra antiga!
outubro 18th, 2011 em 9:41 am
em uma vítima de afogamento, o procedimento correto é o mesmo utilizado em uma vítima de PCR (Parada Cárdio-Respiratória) baseando-se no novo protocolo da AHA. Abraçoss
setembro 24th, 2011 em 2:22 am
mande-me como colocar colar cc com hed block
setembro 27th, 2011 em 12:48 pm
eu gostaria de saber o que esta atualizado no pcr,estou estudando auxiliar de enfermagem e preciso fazer um teatro, mas ñ entendi me ajude
setembro 27th, 2011 em 5:49 pm
muito bom, aprendi muito. obrigada
outubro 6th, 2011 em 2:10 pm
valeu a pena esperar as novas mudanças , pois tem enbasamento legais q valem uma viva . grata
outubro 8th, 2011 em 1:36 am
Ola , gostaria de se possivel receber informações sobre atualizações de resgate ou protocolos
outubro 17th, 2011 em 6:21 pm
Excelente postagem, além de atualizada, clara, objetiva, de fácil acesso e com referências. Sou professor da Faculdade de Enfermagem e já compartilhei com meus alunos.
outubro 30th, 2011 em 1:47 pm
Realmente esse material é muito bom, sou téc enf do trabalho e fiz recentemente o curso de SBV com o material da american heart associations, é muito bom mesmo. adorei.
novembro 12th, 2011 em 11:30 am
A vantilação no metodo boca a boca não é arriscado devido a contaminação por doenças do trato respiratório? Então com fazer a ventilação em caso da inesistência de equipamento próprio para esse fim?
novembro 15th, 2011 em 10:39 pm
Se vc tiver um Ambu poderá fazer sem risco, caso contrario basta fazer 200 compressões toraxicas por minuto e depois checar respiração e pulso novamente…Obs.: Conforme determina a AMERICAN HEART ASSOCIATION partir do momento que vc esteja fazendo compressões toraxicas a vitima esta sendo ventilada tb…
janeiro 21st, 2012 em 10:57 pm
Se vc tiver um Ambu poderá fazer sem risco, caso contrario basta fazer 200 compressões toraxicas, 100 por minuto e depois checar respiração e pulso novamente…Obs.: Conforme determina a AMERICAN HEART ASSOCIATION partir do momento que vc esteja fazendo compressões toraxicas a vitima esta sendo ventilada tb…
dezembro 31st, 2011 em 10:32 am
Boca a boca isso não existe mais, aconselho vc fazer um curso de APH, em um dia vc estará apta e adquira muito conhecimento, lembrando que o estudo deverá ser pela vida inteira…
dezembro 31st, 2011 em 10:26 am
Obs.: 200 compressões toraxicas 100 por minuto, isso se vc estiver atendendo sozinho, caso estiver atendendo com dois ou mais socorristas, deve-se iniciar com 30 compressões e 2 ventilações durante 5 ciclos.
janeiro 7th, 2012 em 10:31 am
Na primeira faze de compressões torácicas, quantas devem ser realizadas especificamente,antes da abertura das vias aéreas e do procedimento (30:2 em cinco ciclos)?
janeiro 7th, 2012 em 10:32 am
Primeira Fase/série de compressões.
abril 29th, 2012 em 9:29 am
É como expliquei Anterior, Em uma pessoa com PCR ou sem sinais vitais,deve se atender na seguinte ordem:1º Checar nível de consciência da vítima chamando a pelo menos 03 vezes, 2º liberar vias aéreas, 3º checar respiração e pulso(vítima não respira e não tem pulso),4º realizar 200 compressões tóraxicas,5º liberar vias aéreas, 6º checar respiração e pulso.OBS.:Caso você esteja atendendo com mais socorristas, poderá realizar 30 compressões torácicas e 2 ventilações durante 5 ciclos, lembrando que o procedimento tanto nas 200 compressões torácicas ou 30 por 2 deverá ser continuo até chegar um Suporte Avançado, (BOMBEIROS OU SAMU), ou outro atendimento da mesma qualidade que venha suprir as necessidades da vítima com equipamentos adequados e medicação conforme gravidade da ocorrência.Espero ter ajudado,bom dia!