Fotos -1965, Primeira descoberta de óleo no “Mar do Norte”

qui, ago 25, 2011, 11.448 views

Destaques, Emprego, Fotos, Lá Fora, Petróleo e Gás, Segurança, Tecnologia  

Bookmark and Share

por Erik Azevedo

 

A balsa auto elevável Sea Gem, deu inicio as operações marítimas no Mar do Norte, porem começou tragicamente.

A balsa auto elevável Sea Gem* à 42 milhas da boca do Rio Humber encontra petróleo na costa Britânica!

Estas eram as novas anunciadas pela imprensa no ano de 1965 em toda a Europa. Foi assim que começou a recente fronteira na região chamada de “Mar do Norte” nos tempos modernos. Isto somente foi possível graças à mudanças de leis e um acordo entre os países que são banhados por estas águas geladas. No começo dos anos 60, antes disso os países limítrofes somente podiam explorar até 3 milhas náuticas, além da costa, com o novo acordo e a definição mais clara entre os países, foram criados os “setores” de interesse econômico. Em resumo, esta região que compreende, não apenas o “Mar do Norte”, mas também o “Mar da Noruega”, e “Jutlândia” e “Atlântico Norte”, uma vasta área de mar, foi dividida entre os países.

De pescadores à petroleiros

Já haviam ocorrido anteriormente tímidas campanhas exploratórias na costa da Holanda por uma companhia chamada de Bataafsche Petroleum Maatschappij, um braço da Royal Dutch Shell em 1948, porem devido à ausência de legislação e acordo entre os países, as operações foram se limitado apenas às atividades sísmicas em toda à região, pois também não havia tecnologias disponíveis para enfrentamento dos mares.

 

A sonda Sedneth I uma das primeiras semi submersíveis do mundo, sendo abastecida por um dos muitos AHTS Smit-Lloyd

Após a região conhecida como GOM (Gulf of México), nos EUA se tornar uma grande fronteira exploratória no mar, se desenvolver nos anos 50, logo tecnologias para perfuração no mar começaram a tomar forma, e as primeiras sondas marítimas à existir com autonomia, e pessoal disposto à viver confinado.

Assim logo no começo dos anos 60 a região do Mar do Norte logo começou  atrair empresas estrangeiras, pois grandes oportunidades estariam por vir com a criação dos “setores do mar”, que compreendem:

  • Britânico (maior setor)
  • Norueguês (segundo maior setor)
  • Dinamarquês
  • Alemão
  • Holandês (terceiro maior setor)

Cada setor tem sua autonomia, normas, e regras próprias, isto afeta diretamente o trabalho nosso como marítimos, pois somos nós quem tornamos à atividade possível. Os setores abriram o mercado para qualquer empresa de petróleo pudesse se aventurar, porem deveriam pagar “royalties”, ou participação do “estado” nas descobertas, isso variava de setor para setor (na Noruega tudo tem que ser dividido com o país).


Esta é uma marca diferenciada do “Mar do Norte” para o GOM, ou outras áreas, a origem do pessoal que trabalha na atividade é basicamente do mar, e formada para trabalhar no mar. No começo das atividades na região, os setores que se desenvolveram mais rapidamente foram os setores Britânico e Holandês. Nos anos 60 ainda haviam sondas vindas dos Estados Unidos, estas já começavam a perfurar nestas regiões, e logo começaram a ser substituídas por sondas mais adequadas construídas na região, foi nesta época que surgiram as primeiras Submersíveis Bottle leg (ou pernas de garrafa) de maior porte, e também as primeiras Semi submersíveis para operação em lâmina d’água de até 100′ de profundidade, as Sedneth I à III, da empresa francesa Forex Neptune Drilling Company. Sondas auto eleváveis, eram construídas na Irlanda e holanda.

 

Antigo supply “Bay Shore” bem carregado de suprimentos, foto anos 70

Outro fato interessante foi que o trabalho dos “caipiras” americanos (coonass-apelido dado ao povo da Louisiana), era limitado à perfuração apenas, porem logo já eram substituídos por escoceses, e irlandeses, pois estes lugares abriram logo escolas para formar pessoal para perfuração. E na Inglaterra desde os anos 30, já se produzia petróleo em pequena escala em terra.

O Setor Britânico

Quanto aos “barcos de apoio”, todos tinham que ser britânicos, com exceção apenas no começo que haviam barcos americanos, porem logo deveriam ir embora, pois as leis Britânicas só autorizavam embarcações operando por longo período se fossem construídas nas Ilhas Britânicas apenas. Este é o grande diferencial se comparado ao Brasil que até hoje não mudou as normas locais em favor do povo local.

 

Aberdeen no começo dos anos 70

Mesmo as companhias americanas que detinham tecnologia e expertise no assunto, tiveram que se adequar e abrir filiais na Inglaterra, como a Zapata Offshore, que passou a formar uma frota em bandeira Britânica, e a formar equipes de perfuração localmente, ainda no começo dos anos 70.

 

A SS Staflo foi construída para perfurar na Inglaterra para Shell UK esta foi uma das SS que descobriu o grande campo de  Brent em 1971

E diversas companhias locais foram surgindo para operar os novos tipos de embarcações especializadas, empresas de perfuração locais também foram formadas, aproveitando o rápido crescimento do setor. Navios convencionais eram adaptados com torre de perfuração e transformados em “navios sonda”, isso graças a lei local que exigia conteúdo local máximo, por isso nos anos 80 e 90, estas empresas britânicas estariam operando no Brasil e Ásia, Africa.

O navio sonda “Drillship”, um dos muitos navios adaptados localmente, este navio era anteriormente um navio de processamento de baleias.

 

Reb. supply e AH, da Zapata britânica, anos 70

Filme de 1975, mostrando algumas operações como movimentação de cargas e reboque de uma antiga sonda “Pernas de Garrafa, no setor Britânico, a bordo de um Reb. da Smit-Lloyd.

 

A primeira SS construída fora dos EUA, a Sea Quest, modelo ACA se chamava ela, anos depois foi vendida para a Sedco Forex, e se chama hoje Sedco 135 C, famosa por causa de um acidente na África nos anos 70

 

O Marine Superintend fazendo o trabalho de BCO a bordo da Sea Quest

E outro fato interessante é que a BP (British Petroleum), construía suas próprias sondas, como a SS Sea Quest de 3 pernas para 500′ de profundidade (complicada para um BCO), que foi a primeira sonda a descobrir grandes reservas na costa britânica, como o campo de  Arbroath, e os Forties. Ela foi a primeira do seu tipo, foi desenhada por um jovem arquiteto naval, tinha uma estrutura bem incomum, porem de fácil construção, pois usava pouco aço, este tipo de semi-submersível logo se tornaria comum.

 

Vários barcos da Sealion atracados juntos

Nesta época também surgiram as famosas companhias britânicas como a Ocean Inchcape Ltd ou O.I.L.  que começou inicialmente com 8 supplies, também a Sealion (Toisa), que começou no inicio dos anos 80. Outras empresas menores também surgiram para abocanhar o mercado local como a Star Offshore Marine Services, Bibby OffshoreStirling Clyde, Fletcher Shipping, Irish Mainport, Specialist Marine Services, OSA-UK, etc.

O setor Britânico, sempre estabeleceu laços estreitos com setor norueguês, de inicio o setor norueguês era explorado basicamente por empresas britânicas, porem logo estas foram “nacionalizadas”, e antes dos anos 80, já haviam muitas empresas de grande porte norueguesas começando a operar com autonomia em seu próprio setor. Porem até hoje muitas empresas de tecnologia submarina, são Britânicas-Norueguesas, como a Frontier Drilling, a DSND Consub – atual Subsea 7, e outras mais como a Farstad (metade britânica). Existe uma proximidade histórica muito grande entre estes países.

Navio sonda Whitethorn, em South Shields – Tyne side UK – Mais um navio adaptado para perfurar.
Smit-Lloyd 103, segunda geração de AHTS do Mar do Norte, 7.500 cavalos de potência, capacidade de carga do navio é de 1100 toneladas. Para ancorar as plataformas  o navio está equipado com um guincho elétrico com três tambores (peso líquido de 65 toneladas), que também tem duas unidades da amarras. E com 1000 m de cabos de reboque. Bollard pull de 100 tons.

O Setor Holandês

 

Nesta época que surgiram os primeiros “ATHS” multipropósito, foram desenhados para a antiga holandesa Smit-Lloyd, eram os mais fortes “rebocadores” offshore em atividade, especialmente projetados por eles, com toda tecnologia holandesa, máquinas, tripulações e construção. De inicio foram 22 OSV (em 4 anos apenas, mais tarde viram mais 18 de outra classe maior, e depois mais 22) com capacidade para reboque, e manuseio de ancoras leves, e transporte de cimento à granel e além de óleo e água industrial, isto era uma inovação na época, pois antes quase tudo isto era transportado em tanques ou tambores, e pallets.

Vídeo mostrando todo o improviso da época, num reboque duro de uma barcaça de perfuração do GOM, para Holanda, por 2 rebocadores holandeses.

Outro fato é que a primeira geração de “mestres” da Smit-Lloyd, foi treinada durante 1 ano no GOM com os americanos, aprendendo o “linguajar” da perfuração, pois  no inicio só haviam sondas na região, e várias eram americanas. Em meados dos anos 70, já haviam empresas locais de perfuração, e com isso apenas holandeses estavam trabalhando em seu setor, sem a necessidade de ter que importar mão de obra. Como a Neddrill Drilling BV empresa 100% holandesa, e a Dolphin Drilling.

O navio sonda holandes Neddrill 2 em 1975- atual Noble Muravlenko – Era bem mais bonito como Neddrill 2.

Foram com os holandeses que grandes inovações tecnológicas ocorreram nos anos 70, como por exemplo sistemas de ancoragem submarina para águas mais profundas, plataformas de tipos diferentes, barcaças especiais, navios especializados, e o famoso sistema conhecido “SBM” (Single Buoy Mooring). Graças ao SBM, é que foi possível desenvolver o conceito de “navio de armazenamento”, e logo em 1973 no setor holandês, já era instalada a primeira unidade deste tipo. Logo eles se tornariam líderes de mercado, e estariam instalando FSO’s e FPSO’s, onde quer que houvesse petróleo no mundo (inclusive no Brasil, aonde fazem a festa). Os estaleiros holandeses vivem bem ocupados construindo plataformas e estruturas submarinas, fornecendo equipamentos para diversas partes do mundo.

 

Em 1973 o tanque “Ashtart FSO”, primeira unidade do seu tipo, instalada no setor holandês, depois foi transferida para Tunísia.

A primeira FSO, inicialmente era um antigo navio tanque totalmente descaracterizado para este fim, apenas como unidade de recebimento e alivio de óleo. Mas logo a ideia mostrou se genial, e nos anos 80, proliferaram pelo Mar do Norte, e nos 90 pelo Mar da Noruega, novos tipos de FPSO menores foram surgindo, porem modernas e mais seguras.

Um moderno navio DP-FPSO, com sistema de desconecção rápida, navios menores porem mais seguros.

Os holandeses também constituíram grandes empresas operadoras de AHTS e PSV’s, alem da antiga Smit-Lloyd, surgiram algumas outras grandes como a Vroon, e ITC, e outras menores, e empresas especializadas em transporte de estruturas, e reboque de equipamentos, e plataformas.

O Setor holandês só começou à ser explorado no começo de 1967, quando enfim o governo local concedeu licenças para exploração no mar.

Setores Alemão e Dinamarquês

 

Supply "South Shore", o primeiro da frota da OSA UK, em 1965

São setores com menores quantidades de petróleo, e por serem países muito desenvolvidos economicamente, se limitavam mais em produzir tecnologias, a Dinamarca em fornecer embarcações, como plataformas, e serviços de “apoio marítimo”, já a Alemanha teve pelo menos uma empresa bem conhecida mundialmente no “apoio marítimo” a  Offshore Supply Association – OSA, empresa de capital Inglês/Alemão, inicialmente estabelecida na Inglaterra, com frota construída na Irlanda e Inglaterra, porem posteriormente é incorporada pela DDGH Hansa, esta empresa chegou à operar mais de 50 AHTS e supplies em bandeira alemã. Inicialmente eram para ser operadas no pequeno setor alemão, quando iniciou as atividades de perfuração na costa. A OSA também esteve no Brasil nos anos 80 à 90, com algumas embarcações modernas na época.

Os pequenos supplies e manuseio de ancoras da F.I.S.H. (Feronia) eram vistos nos anos 70 pelo Mar do Norte, a foto é de 1980, mas o barco de 74.

Outro fato interessante foi a OSA, durante os anos 70 ter gerenciado a frota da “Feronia”, uma empresa francesa, que construiu uma frota considerável de PSV’s para operar nos setores britânicos e noruegueses, e Tunísia (África).

A OSA ficou famosa por operar uma considerável frota de “pipe carriers”, supplies especializados em transportes de tubos de perfuração e revestimentos de poços. E também os barcos “cimenteiros”, que possuíam silos para transporte de graneis, e fluidos de perfuração.

 

O Pipe carrier Huntetor de 1975

 

É comum entre as empresas europeias ocorrerem fusões, e parcerias, por isso muitos destes barcos, passaram por várias empresas grandes, alguns afretados, enquanto outros eram adquiridos em parceria.

OSA pipe carrier
O pipe carrier – Winsertor, o convés de carga destes barcos se parece com uma caçamba

Eram vários os barcos feitos para isto, e ainda estão em atividades sob outras bandeiras e empresas.

 

Da Dinamarca temos a Larsen, a Lauritzen que chegou a operar nos anos 80 uma considerável frota de embarcações e plataformas, como floteis, e barcaças de construção e a empresa da “Estrela Polar”, que pulou de cabeça e se desenvolveu bastante nos anos 80, operando no seu setor, e mais tarde no britânico com AHTS’s de bandeira britânica, e ocasionalmente no setor norueguês. A Stolt também não poderia ser esquecida, que se tornou mais tarde Acergy, operava muitas embarcações especiais. Muitas destas empresas se desenvolveram mais fora da Europa, encontraram mercado fácil na África, Ásia, e Brasil.

No total a Dinamarca tem 19 campos petrolíferos, quase todos formados por consórcios envolvendo uma estatal do governo e a Maersk Oil.

 

Antigo PSV da Maersk, o “Puncher”, em 1975, em Aberdee, note que a praça dele é London!

O Setor Norueguês

A situação começou a se transformar quando em Dezembro de 1969, a Phillips Petroleum, descobriu muito petróleo nos campos de Chalk, e Ekofisk (o maior campo de Noruega), bem no meio do setor norueguês.

 

Assim como o Brasil tem o Pre-sal, a Noruega tem o Campo de Ekofisk

O setor norueguês é um belo exemplo de sucesso no gerenciamento dos seus recursos e mão de obra. As tradicionais indústrias pesqueiras do país foram envolvidas e até incentivadas à fazer parte do grande negócio chamado petróleo. Inicialmente empresas Britânicas e americanas firmaram parcerias com empresas locais. As gigantes do petróleo como a Shell, Esso, Chevron, Marathon, Agip, Phillips, tiveram todas que se estabelecer na Noruega. Com isso muito emprego foi gerado, e tecnologia localmente foi desenvolvida por grandes grupos escandinavos. Os suecos e finlandeses, desenvolveram projetos de navios árticos, e máquinas mais confiáveis, os dinamarqueses de inicio operavam grandes frotas de AHTS e supplies, e sondas de perfuração, e construíam equipamentos, porem não poderiam operar lá por muito tempo.

Os armadores locais tradicionais que operavam apenas navios comerciais, logo estariam constituindo frotas de supplies e AHTS, como a Solstad, Ungland, Wilhelmsen, estas empresas também construíram sondas, e outros tipos de navios. E várias outras empresas locais familiares que atuavam na pesca, também foram apoiadas para formar frotas locais. Assim nasceram a Eidesvik, DOF, Viking, Havila, Farstad, TFDS.

Porem a decisão mais acertada foi do governo local em limitar a participação dos grupos estrangeiros, os mesmos deveriam projetar, e desenvolver equipamentos na própria Noruega, e formar parcerias com empresas locais. Logo surgiram empresas como a Bergen Marine, a Ulsten, AquaMaster, VikSandvik, Aker da Noruega, e outras mais que abriram fábricas e estaleiros localmente.

A grande cartada foi constituir a Statoil nos anos 90, uma empresa nacional de capital misto, mas com grande força para investir localmente, mas a Statoil sempre procurou formar parcerias com empresas locais, daí surgiram novas empresas de perfuração, como Fred Olsen, Seadrill, Sevan Drilling, Ocean Rig (investimentos gregos) e outras mais.

 

Sonda ultra-deewater, perfurando no Mar de Barents “SS Eirik Raude” – pertence à Ocean Rig

Outra particularidade dos noruegueses, foi se especializar nos serviços sísmicos. Diversas empresas grandes e pequenas foram formadas na Noruega, em parceria com empresas britânicas, assim surgiu a Geco Geophysical, a PGS, e outros grupos associados com americanos como a Veritas, e a Western, e mais recentemente a Polarcus.

 

Ekofisk reservatório flutuante construído em concreto armado.

O reservatório flutuante de Ekofisk é o unico do seu tipo no mundo. Projetado para suportar tempestades, gelo, e ondas violentas, uma enorme estrutura construída em concreto armado, com 64 metros de calado, e com capacidade para armazenar  205 000 metros³. Este enorme tanque foi construído dentro de um Fjord em 1973, e rebocado por mais de 400 km, e instalado à uma profundidade de 70 metros, este projeto somente se tornou real graças a engenhosidade de um grande grupo de pesquisadores, que teve o maior desafio à estabilidade da estrutura devido ao seu enorme tamanho.

A maior plataforma do mundo a Troll A, dentro de um Fjord antes de partir para locação.

Sobre Ekofisk

Os reservatórios da Bacia de Ekofisk, consistem nos Campos de Cod, Ekofisk Central, West Ekofisk, Tor, Albuskjell, Eldfisk, Edda e Embla. O Ekofisk Central possui o mais vasto complexo de plataformas e estruturas, criadas para produzir e armazenar e bombear de campos menores como,  Valhall, Hod, Gyda, Ula, Statfjord, Heimdal, Tommeliten e Gullfaks. Este conjunto consiste em  29 plataformas. O oleo produzido é escoado por um grande oleo duto chamado de  Norpipe, para o terminal da  ConocoPhillips em Teeside Terminal, na Inglaterra. Já o gás natural é escoado também pelo Norpipe para Emden na Alemanha.

A produção em Ekofisk começou no ano de 1971.

Avanços trabalhistas e cotas para trabalho

No setor Norueguês por exemplo é um dos mais restritivos ao trabalho e permanência de estrangeiros,  as comunicações entre embarcações envolvidas nas operações tem como língua primária o Norueguês, os sindicatos locais conseguiram a melhor escala de trabalho para os trabalhadores na industria do petróleo  (3 x 1 – 3 dias de folga à cada dia trabalhado nas plataformas).

 

Os AHTS class UT 704, “British Emerald e British Piper”, se preparando para manusear ancoras

 

A Plataforma “Cormorand 1″ da Shell UK, com um flotel ao lado, anos 70, umas das primeiras plataformas fixas de produção do Mar do Norte

Padrões de treinamento e segurança são os mais elevados também nos setores Britânicos e Noruegueses. No setor norueguês é incentivada e exigida a construção local de navios e plataformas, e sondas, esta foi uma decisão sábia tomada logo no inicio das atividades nos anos 70. Bem como no setor holandês somente é permitida operação de embarcações naquele setor, de bandeira dos Países Baixos (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). No setor britânico há percentuais de mão de obra não local, estes são aceitos temporariamente, porem as regras trabalhistas e salariais tem de ser cumpridas. Há uma tabela mínima de salários praticados em cada setor (3800 Euros é o minimo para um homem de área em qualquer setor). Atualmente há uma proliferação de mão de obra do Leste Europeu, e Poloneses, em todas as regiões, isso devido também a carência de mão de obra local de cada país em fornecer em quantidades desejadas, e não apenas salariais, pois estas tabelas são seguidas à risca pelas operadoras dos campos. Ainda assim os salários são muito similares entre os setores, porem os setores Noruegueses, e Britânicos tem os salários mais elevados.

 

Sacarias e fardos tambores soltos, era assim no começo

Mau tempo e desastres

Quando falamos em “Mar do Norte”, já vem em mente tempestades violentas, ventos gelados, ondas altas, e “Piper Alfa”, mas a região do Mar do Norte não é apenas isso, e sim nevoeiros densos também, trafego marítimo intenso, e muitas plataformas fixas, e FPSO’s em alguns campos. Sem dúvidas que Piper Alfa, foi um grande acidente, e que trouxe muitas mudanças na industria do petróleo, porem outros grandes acidentes ocorreram inclusive com a primeira sonda que descobriu óleo na costa Britânica a “Sea Gem”, outros acidentes terríveis foram com a sonda/flotel Alexander L. Kielland em 1980 – 123 mortos, e alguns outros mais, até Piper Alfa, que realmente foi um marco decisivo.

 

Mau tempo no campo de Nortrym – Noruega

 

O grande desastre que foi Piper Alpha serviu para mudar todo o sistema de trabalho

O mau tempo nestas águas obriga operação de embarcações mais robustas, de plataformas maiores, algumas construídas em concreto armado, os FPSO’s sempre devem estar prontos para uma desconexão de emergência, os mais modernos são DP-FPSO, outros tem propulsão própria, e se preciso saem navegando.Procedimentos nesta região tem de ser mais cuidadosos, como por exemplo os voos por aeronaves são feitos com roupas de imersão o tempo todo, porem se voa à noite e mesmo com nevoeiro, porem em todos os setores há as famosas “stand by vessel”, geralmente antigos supplies que foram adaptados com embarcações rápidas de resgate, e devem ficar sempre de prontidão quando há  voos, ou serviços especiais, como Offloading ou outro tipo de atividade em plataformas, como trabalhos borda fora.

 

O valente ‘Coltair’ – um stand by vessel, muito usado no Mar do Norte

Os centros de treinamento baseados em Aberdeen, Ålesund, Bergen Copenhague, e Amsterdam, são referencia mundial em desenvolvimento de técnicas, e certificação para tripulantes e pessoal operário para industria do petróleo, são aprovadas pela OPITO (Offshore Petroleum Industry Training Organization), os treinamentos práticos são bem valorizados para todo o pessoal desta industria.

*A balsa de perfuração auto elevável  Sea Gem, sofreu colapso e  afundou, quando se preparava para deixar o poço que abriu o “Mar do Norte” como nova fronteira.  13 vidas se perderam neste trágico e primeiro grande acidente ocorrido na industria do petróleo no Mar do Norte. Os operários da Sea Gem eram peões de perfuração de terra, já trabalhavam em poços na Inglaterra antes de “embarcarem” nesta balsa

Plataformas especiais

Em 1960 a Shell da Holanda já usava balsas auto eleváveis como esta para perfurar no Mar do Norte.

Outra marca do Mar do Norte, foram as inovadoras plataformas desenvolvidas para aquela região de mares tempestuosos, e gelo mais ao norte. Primeiro vieram as balsas para perfurar, estas as mesas usadas no GOM (Golfo do México EUA), porem logo de inicio a industria local começou a produzir as próprias plataformas localmente, as primeiras Semi submersíveis, e plataformas fixas. Porem logo águas bem mais profundas começaram a ser exploradas, diferente das águas rasas do GOM, no Mar do Norte, logo foi se desenvolvendo o embrião da exploração em águas acima dos 100 metros de profundidade.

 

Shell 49, uma das primeiras jaquetas lançadas no setor ingles no final dos anos 60.

A plataforma Magnus, localizada no setor nordeste do Reino Unido, à 100 milhas ao Nortedeste das ilhas Shetland. Quando ela foi construída foi a maior jaqueta já lançada com 40 mil toneladas apenas a jaqueta, por muitos anos esta foi a maior plataforma da BP em todo o mundo.

A grande plataforma tipo fixa no campo de Magnus no setor inglês

As plataformas de concreto foram outra grande inovação para o Mar do Norte, estas foram surgindo nos anos 70 à 80, diversas delas foram construídas e rebocadas para suas locações, marcaram história na engenharia moderna, pois desafiam as forças da natureza hostil destas águas. As primeiras estruturas foram desenvolvidas todas nas Noruega por um engenheiro que patenteou a ideia, e em 1973 é instalada no campo de Ekofisk a primeira de todas, como tanque de armazenamento do tipo C. G. Doris (nome da empresa que projetou). Daí surgiu o conceito “Condeep”.

 

Nos anos 70 começaram a surgir as gigantes plataformas de concreto, a da foto é a Brent B, sendo rebocada da Noruega para o setor inglês, por diversos rebocadores

As plataformas tipo Condeep  Brent B (1975) e Brent D (1976) foram projetados para uma profundidade de 142m no campo petrolífero operado pela Shell Brent. Sua massa principal é representada pelo tanque de armazenamento (com 100m de diâmetro e 56m de alta, consistindo em 19 compartimentos cilíndricos com diâmetro de 20mt). Três das células são estendidos em eixos redução gradual na superfície e carregando um deck de aço. Os tanques servem como armazenamento de petróleo bruto na fase de operação. Durante a instalação, esses tanques foram utilizados como compartimento de lastro. O complexo Brent na época eram as maiores plataformas do seu tipo no mundo, e custaram mais de 1 bilhão de Libras para Shell UK.

 

Foi na Escócia que foram construídas as 2 plataformas gigantes Cormoram A e B, e outras diversas mais do mesmo tipo durante os anos 70.

Foram construídas 47 plataformas de concreto, destas 21 foram construídas na Noruega, as demais foram construídas na Escócia, e em outros lugares. A maior de todos os tempos do seu tipo é a Troll Apha, na Noruega no campo de Troll.

 

Desafiando a gravidade com 280 metros de altura, esta a plataforma Draugen na Noruega

Outra inovação foram as modernas FSO, e FPSO posicionadas dinamicamente. A primeira delas foi uma adaptação em um antigo navio tanque, comprado pela BP e mais tarde vendido para Frontier Drilling (britânica/norueguesa). Daí em diante foi surgindo um novo conceito de FPSO DP, com cascos novos especialmente desenhados para este fim.

A FPSO DP Aoka Mizu, esta opera no setor Noruegues.

 

, , , , , , , , , , ,

17 Respostas para “Fotos -1965, Primeira descoberta de óleo no “Mar do Norte””

  1. Erik Azevedo:

    Cada país ficou com a sua parte de direito, que conrresponde a costa de cada país.

    A Noruega ficou com a parte correspondente ao seu litoral.

    Na Inglaterra também há muito oleo.

    Responder

  2. jose:

    e estao a anos luz na nossa frente.

    Responder

  3. Breno Bidart:

    Escala 3X1 (três em casa e um trabalhando) , idioma local obrigatório e construções do barco que opera no própio país.No século XXV isso tudo chega no Brasil.
    Breno Bidart

    Responder

    • Flavio:

      A matéria está sensacional!
      Só uma correção.
      O regime do setor norueguês é 2×4 (duas semanas embarcado por quatro de folga).
      Algumas empresas em outros setores já praticam o 2×3 (como tem direito os empregados da Petrobras). Quem sabe a gente chega lá.
      sds,

      Responder

  4. Marcelo Eduardo Westphal:

    Muito boa a matéria .trabalhar no Mar de Barents é pra coco roxo.

    Responder

  5. Drika TAA:

    Os gringos fogem do Mar do Norte,
    aqui é moleza , por isso não querem ir embora.

    Responder

  6. ederson meireles:

    parabéns pela matéria muito bem elaborada,tem uma coisa(lá e onde o filho chora e a mae nao ve)

    Responder

  7. Tiago Moura:

    Matéria sensacional. Realmente temos que bater palmas para eles. Trabalho na wilhelmsem em um navio da pgs, mas nunca cheguei a trabalhar no mar do norte. Acho que um dia chegaremos lá, mas a falta de mão de obra especializada e um governo mais ativo ainda vão atrapalhar o desenvolvimento.

    Responder

  8. junior santos:

    JUNIOR TAA.
    A MATERIA E SHOW MEUS PARABENS!
    MOREI 15 ANOS NA HOLANDA E PUDE VER DE PERTO UM POUQUINHO
    DESTA REALIDADE MARITIMA!!!
    TOT ZIENS!

    ESTOU DESEMBARCADO E A PROCURA DE EMBARQUE PARA TAA.CASO
    ALGUEM SAIBA DE UMA OPORTUNIDADE FICA AI MEU EMALS
    junior-jump@hotmail.com
    MUITO OBRIGADO E SORTE A TODOS!

    Responder

  9. luiz afonso castro de souza:

    exelente ,matei a saudade do velho huntetor.trabalhei neste barco na panmarine em 20067 possui dois mcps gigantescos e muito bons,dois geradores de eixos e apenas um mca que se transforma em bow thrust

    Responder

  10. Rodrigo M. Viana:

    Gostei muito da matéria, muito legal mesmo.
    Conheci alguns destes PSV e AHTS ai das fotos.

    Só seremos assim quando tivermos mão de obra qualificada em numero suficiente, e um governo que leve isso à serio, coisa que ta pegando muito por aqui, nas mãos dos ditadores nazistas.

    Responder

  11. Karine Alves Ribeiro:

    Nossa, que matéria bem feita! Completíssima e interessantíssima! Parabéns! É, realmente o personagem do meu livro estaria deslocado se entrasse para extração de petróleo na Noruega naquela época: década de 60. Para isto a estória ficaria melhor intalada nos anos 80. Mas se um dia eu escrever sobre isso, esta sua matéria maravilhosa, me ajudará muito!

    Abraço!

    Responder

  12. Alex Carica:

    Matéria sensacional. Realmente temos que bater palmas para eles. Trabalho na área de Oil e Gás. Mas a falta de mão de obra qualificada ainda é um grande problema no Brasil. Devemos desenvolver novos projetos para qualificar mais profissionais. Tenho orgulho de trabalhar à 14 anos nessa área de Oil e Gás.
    Um abraÇo a todos!!!

    Responder

  13. Alex Costa Ambrosi:

    Excelente texto. Só tenho uma pequena dúvída em relação a figura 15, onde tem esse texto:
    “Em 1973 o tanque “Ashtart FSO”, primeira unidade do seu tipo, instalada no setor holandês, depois foi transferida para Tunísia. ”

    Nesse navio FSO, são dois prédios de passadiço? Se é que posso chamar assim!

    Responder

  14. Alexandre:

    Olá, primeiramente agradeço essa grande oportunidade de saber mais sobre o Mar do Norte. Eu e minha equipe estamos com um TCC em andamento, o qual damos o título de “Perdas Totais em Unidades Estacionárias de Produção”.
    Sem sombra de dúvida alguma a Piper Alpha foi o marco de muitas mudanças hoje na indústria petrolífera.
    Gostaria caso o autor pudesse que compartilhasse com minha equipe e assim nos enviasse dados geológicos (cartas estratigráficas, bacia sedimentar a qual pertencia) e etc.

    Desde já agradecemos.

    Responder


Deixe uma resposta

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes