O que faz um Moço de Convés a bordo?

qua, dez 28, 2011, 44.997 views

CFAQ, Convés, Destaques, Emprego, Navegação, Segurança  

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por Thiago Kempin

Mais uma vez venho aqui através deste artigo tentar esclarecer as dúvidas de muitos colegas e confesso que até eu não sabia a diversidades de fainas a bordo que nós Subalternos da Marinha Mercante podemos fazer em nossa embarcação.

Faina no convés de um AHTS

Faina no convés de um AHTS

Dentro da sala de aula durante todo os quase 03 meses de curso, nos bate papos na hora dos intervalos, hora do almoço, happy-hour, etc. O que mais se discutia era o que íamos fazer a bordo. Muitos falam que vamos bater ferrugem, lavar banheiro, manuseio da carga, etc. No meu ponto de vista isto depende muito da embarcação que você trabalha, existem barcos novos e barcos velhos. Barcos novos que são muito operacionais e que frequentemente vivem docando, barcos novos que realmente já vi comentários que não se faz quase nada a bordo, barcos velhos onde tudo pega, exemplo são as FPSOs convertidas de navios tanques, onde o “vapo” rala mesmo, enfim, acredito que neste artigo todos podemos ter a noção do que fazemos a bordo. Como referência me baseio na NORMAM 13, e já aproveitando para deixar claro que a mesma trata de todos os assuntos relacionados a nós Aquaviários.

Vejamos o que diz:  

 DAS ATRIBUIÇÕES DOS INTEGRANTES DO SERVIÇO GERAL DE CONVÉS

a)Aos integrantes do Serviço Geral de Convés, compete:

1)atender às manobras da embarcação, ocupando os postos para os quais tenha sido escalado;

2) ajudar na execução das manobras de fundeio, suspender, atracar, desatracar, entrada e saída de diques e quaisquer outras fainas.

3) receber, no convés da embarcação, e transportar para os paióis respectivos o material de custeio pertencente à seção de convés;

4) operar os aparelhos de manobra e peso, nas fainas da embarcação (acionar guinchos, suspender e arriar paus de carga, guindastes, preparar cábreas, acunhar e desacunhar escotilhas, colocar dalas, rateiras, defensas e balões no costado, luz de bulbo, cabo de segurança de proa e popa) ou onde se fizer necessário;

5) executar os serviços necessários a conservação, tratamento, limpeza e pintura da embarcação, dos paióis (paiol da amarra, conveses, costado, escotilhas, amuradas, escadas, varandas, passarelas, superestruturas, mastros, guindastes, cábreas, gigantes, turcos, tetos, anteparas, balsas, berços, baleeiras, extratores de ar, ventiladores de gola) e dos demais compartimentos de sua responsabilidade;

6) executar todas as tarefas determinadas pelo Contramestre da embarcação, tais como limpeza, tratamento, pintura, lubrificação e quaisquer outras rotinas de manutenção do material de convés.

7) baldear e adoçar a embarcação;

8) executar os serviços necessários a conservação e pintura das embarcações auxiliares, mangueiras de incêndio, bombas, bóias, salva-vidas, balsas, bancos e todo material volante;

9) executar os serviços necessários a conservação dos estais, brandais, ovéns e amantes, pelos consertos em estropos e fundas, costura em lona e demais cabos de bordo;

10) auxiliar o Contramestre em todas as fainas do convés, inclusive nas sondagens;

11) executar os serviços necessários a conservação dos próprios camarotes;

12) auxiliar o Contramestre em todas as fainas do convés, efetuando pessoalmente a distribuição e o recolhimento do material necessário a faina diária, quando nas funções de Faroleiro; e

13) colocar na proa e popa, junto às tomadas de carga e combustível, e nos locais de embarque de cargas perigosas, o material móvel de combate a incêndio, quando determinado pelo Oficial responsável.

 DAS ATRIBUIÇÕES DO TIMONEIRO, VIGIA E VIGIA DE PORTALÓ

a) Ao Subalterno integrante do Quarto de Navegação – Timoneiro e Vigia, compete:

1) fazer o serviço de leme procurando manter a embarcação no rumo indicado, fazendo, normalmente, quarto de quatro (4) horas, com revezamento de hora em hora no serviço de vigia, notificando imediatamente ao Oficial de quarto, qualquer ocorrência que se verifique na agulha ou no governo da embarcação;

2) colocar ou retirar a escada para embarque ou desembarque do prático, içar e arriar as bandeiras e sinais designados pelo Oficial de quarto, lançar e colher o odômetro e informar a sua leitura;

3) atender, em caso de mau tempo iminente, às manobras dos ventiladores do convés e efetuar o fechamento das portas e vigias;

4) estar atento às ordens de manobras recebidas do Comandante ou do Prático da embarcação e avisar, com antecedência necessária, aos Oficiais e Tripulantes que vão entrar em serviço;

5) preparar, içar e arriar as bandeiras e sinais regulamentares, em todas as ocasiões que se fizerem necessárias e acionar buzinas ou tocar sino, em caso de cerração;

6) fazer o serviço de vigia no passadiço, em quarto de quatro (4) horas, com revezamento de hora em hora com o Timoneiro;

7) observar, com atenção, ao movimento da embarcação, bem como pontos de terra, derelitos ou qualquer outra incidência, comunicando ao Oficial de quarto;

8) executar a limpeza diária do convés do passadiço, casa do leme, camarim de cartas, vidro das vigias fixas e rotativas e outros compartimentos nesse convés.

b) Ao subalterno integrante do Serviço Geral de Convés – Vigia de Portaló, compete:

1) permanecer em seu posto e só se afastar em cumprimento de obrigação inerente ao seu cargo, solicitando, sempre que possível, substituto;

2) apresentar-se sempre uniformizado e barbeado; manter-se em atitude respeitosa, tratando a todos que lhe pedirem informações com a máxima urbanidade e respeito;

3) impedir a entrada de pessoas estranhas a bordo, conforme as ordens que receber, dando ciência ao Oficial de serviço de qualquer anormalidade nesse sentido;

4) zelar pelas escadas de portaló e pranchas de desembarque, arriar, içar as escadas e pranchas de portaló, preparando as balaustradas e armando as redes de proteção;

5) comunicar aos seus superiores qualquer ocorrência que observar ou que tiver conhecimento, relativa à segurança da embarcação,;

6) anunciar as horas pelo sino, despertar a guarnição de convés e transmitir-lhe as instruções recebidas;

7) ter sob sua responsabilidade a guarda das chaves dos paióis de convés que lhe forem entregues;

8) inspecionar, periodicamente, quando a embarcação estiver atracada ou fundeada, a situação das amarras, cabos de amarração, rateiras, embarcações que porventura estejam a contrabordo, defensas, sinais e luzes regulamentares;

9) içar e arriar, no horário regulamentar, a Bandeira Nacional e os sinais de praxe;

10) observar e corrigir a posição dos ventiladores dos porões em ocasiões de chuvas e aguaceiros;

11) acender e apagar as luzes da embarcação;

12) fiscalizar as entradas e as saídas de volumes;

13) manter o quadro de saída da embarcação do porto devidamente escrito, assinalando data e hora da partida.

O serviço de Vigia de Portaló será executado por Quarto ou Divisão, observando a legislação em vigor.

 DAS ATRIBUIÇÕES DO FIEL DE PORÃO

Ao Subalterno integrante do Serviço Geral de Convés – Fiel do Porão, compete:

1) fiscalizar a correta preparação dos pisos, anteparas, pés de carneiro, terminais de ventilação, tubos de detetor de fumaça, sistema de combate a incêndio, ralos dos pocetos, cobrindo-os com serrapilheiras, e dos porões e cobertas, antes do embarque das cargas;

2) preparar, no início ou término das operações de carga e descarga e, quando necessário, a cobertura e fechamento dos porões e cobertas;

3) fiscalizar para que as praças previamente designadas pelo Imediato ou seu substituto sejam ocupadas corretamente;

4) fiscalizar para que não se fume nos porões ou cobertas; quando tiver necessidade de ausentar-se, temporariamente, pedir substituto;

5) providenciar para que os volumes de cargas avariados sejam reparados, assim como no caso de existirem volumes com indício de violação comunicar tal fato a seus superiores, para as devidas providências;

6) opor-se a que sejam violados, danificados ou desviados os volumes de carga e, sempre que observar tal ocorrência ou da mesma for avisado, comunicar imediatamente aos seus superiores;

7) acompanhar o horário de refeições da estiva;

8) responder pela varredura dos porões, tendo em vista que a carga é da responsabilidade do armador;

9) providenciar a iluminação dos porões, quando for necessário;

10) auxiliar na limpeza e inspeção dos porões, de acordo com as instruções do Mestre, tendo especial atenção aos pocetos e ralos, bocas de ventilação e sistema CO2; e

11) providenciar, antes do início dos carregamentos, o material que se fizer necessário à operação.

Os fiéis cumprirão horário de serviço de acordo com as operações de carga e descarga, observando-se a legislação em vigor.

_________________________________________________________________________________________

Podemos ver acima a quantidade de fainas que estamos sujeitos a executar a bordo. Agora você amigo “vapor” que faz além disso que cita a NORMAM 13, colabore conosco e ajude a enriquecer este artigo e tirar mais algumas dúvidas do colegas que acabam de entrar para a nossa Grandiosa Marinha Mercante.

O próximo artigo será: “O que faz um Moço de Máquinas a bordo?”

“VIDA LONGA AO BLOGMERCANTE”

,

96 Respostas para “O que faz um Moço de Convés a bordo?”

  1. alex bruno:

    como faço pra entra no ramo e algun tipo de curso

    Responder

  2. Bruno:

    Olá pessoal… Ja tem algumas semanas que saiu o cfaq 2013 para o rio de janeiro ; para realizar a inscrição será necessária uma carta de indicação da empresa. O local mais concorrido é o CIAGA, as vagas serão poucas (30 por curso C e M) porém recebi uma informação que vale a pena apurar: dia 26 acaba o prazo para o envio das cartas por parte das empresas…ai é que vem a parte interessante, até o inicio do dia de hoje a capitania de angra não recebeu nem metade das cartas necessárias para a continuidade do processo seletivo (no minimo 15 indicações). Eu sei que está muito dificil de conseguir a carta mas para o pessoal que ja conseguiu talvez fosse bom levar em consideração fazer inscrição para outras capitanias…Caso não atinja esse minimo de candidatos, o curso poderá ser cancelado…Acredito que capitanias de outros lugares tambem poderá ocorrer o mesmo problema…Fica a dica…

    Responder

    • THIAGO DANTAS DOS SANTOS:

      Prezado Bruno, boa noite!

      Tenho um interesse muito grande em fazer o curso para moço de convés, porém, esbarro na condição imposta por uma carta de recomendação. Por não trabalhar em nenhuma empresa do ramo, e também não ter nenhum conhecimento de alguém que trabalhe, gostaria de saber se existe alguma maneira de eu cursar sem a carta ou se é muito difícil conseguir uma.

      Tem concurso previsto para o ano de 2014 no Rio de Janeiro ou algum outro estado?

      Grato!

      Responder

  3. jessé mesquita:

    vou faser esse comcurso e deus vai me passar gostei muito dessa funçãooo depois de estar la dentro faço outro comcurso de um cargo ainda melhor mais esse é bom

    Responder

  4. Tito:

    Srs, não sei se alguém poderia me esclarecer qual embarcação alguém que tem o curso de Marinheiro Auxiliar Fluvial de Convés esta habilitado a pilotar sozinho. Fiz o curso e tirei a minha CIR como MAC e no curso fui informado que poderia pilotar embarcações de ate 20 m e ate 6 toneladas. É isso mesmo? Posso navegar com esta habilitação tanto em rios como em mares? Posso usar tal habilitação para laser e levar tripulantes a bordo?
    Att, Tito

    Responder

  5. rafael:

    como faço para entrar nesse ramo

    Responder

  6. rafael:

    Quando começa as matriculas do curso

    Responder

  7. Alfredo Ricardo Silva Santana:

    Eu quero ser um moço de convés.

    Responder

  8. Flaviano Almeida:

    sou novo nessa área gostaria de saber como eu faço para conseguir uma carta de recomendação pois vou fazer um curso de marinheiro auxiliar só não fiz o de moco de convés porque não tinha carta e se o mercado é promissor grato

    Responder

  9. THIAGO DANTAS DOS SANTOS:

    Prezado Thiago, boa noite!

    Tenho um interesse muito grande em fazer o curso para moço de convés, porém, esbarro na condição imposta por uma carta de recomendação. Por não trabalhar em nenhuma empresa do ramo, e também não ter nenhum conhecimento de alguém que trabalhe, gostaria de saber se existe alguma maneira de eu cursar sem a carta ou se é muito difícil conseguir uma.

    Responder

  10. jose walter goes:

    concluir o curso de moço de conves em 2008
    mais ate hoje nao conseguir embarque se alguem quiser mim agudar agradeço
    muito um grade abraço.

    Responder

  11. RIcardo:

    quadno vai ter inscrição?

    Responder

  12. Tiago:

    Thiago, bom dia!

    Tenho a formação MAC e pretendo entrar no mercado e tenho uma grande duvida com relação a remuneração, você poderia me informar?

    Responder


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